Tempos difíceis para o Setor do Aço

A utilização do aço apenas vai aumentar este ano. A razão principal para esta situação é a desaceleração da economia chinesa, o maior produtor e consumidor de aço, onde se prevê que o uso deste material diminua ainda mais em 2015 e 2016.

Neste ambiente, o excesso de produtividade tornou-se num dos problemas mais importantes para os produtores e comerciantes de aço. Este facto é assinalado pelo último Market Monitor, difundido pela Crédito y Caución, que analisa a situação global do setor do aço e metalúrgico.

De acordo com o relatório, apesar de nos encontrarmos perante os preços mais baixos do ferro, as empresas enfrentam um ambiente global competitivo, no qual a persistente pressão sobre os valores está a bloquear a rentabilidade.

Margens sob pressão na Alemanha

O setor alemão do aço e dos metais depende em grande medida do desenvolvimento da economia alemã, em especial do setor da construção e dos setores orientados para as exportações, como a engenharia mecânica e o fabrico de automóveis. Em 2014, a produção de aço na Alemanha chegou aos 43 milhões de toneladas, aproximadamente o mesmo nível que em 2013. De acordo com as entidades patronais, os pedidos cresceram no primeiro semestre de 2015 mas, apesar deste crescimento, os produtores e distribuidores de aço continuam a enfrentar alguns desafios. Em 2014, os preços do aço diminuíram 10% e continuaram a baixar mais em 2015, principalmente devido à sobreprodutividade global, especialmente na China. Por sua vez, o crescimento das importações, procedentes de concorrentes estrangeiros, continuam a ter um efeito negativo na faturação.

As margens permanecem sob pressão e os lucros líquidos diminuíram, pois as importações da China e da Índia golpearam fortemente a indústria europeia do aço. Por outro lado, o setor do aço e metais alemão vê-se fortemente afetado pelos altos custos da energia.

Índia perde quota de mercado

No ano fiscal de 2013-2014 a produção de aço na Índia aumentou quase em 8%, até alcançar os 88 milhões de toneladas. Apesar do aumento do desempenho, as importações aumentaram em 71% até converter a Índia num importador líquido de aço acabado. As importações de aço aumentaram ainda mais no segundo trimestre de 2015, o que indica que os produtores nacionais continuam a enfrentar a pressão dos baixos preços da China, do Japão ou da Coreia do Sul.

Esta situação reduziu a utilização e a capacidade nacional de produção em cerca de 80%, reduzindo a quota de mercado das empresas nacionais. Espera-se que o consumo de aço cresça 7% este ano fiscal. Ao mesmo tempo, espera-se que o fornecimento de aço aumente em 10%. Como consequência, a utilização da capacidade de produção cairá abaixo dos 78%. A isto acresce a tendência para o aumento das importações, que continuará em 2016, apesar das medidas tomadas pela administração para as deter.

Interrogações em Itália

A metalurgia, e em particular, o aço são de grande importância para a economia italiana, tendo em conta que representam cerca de 2% do PIB, com um valor estimado de 34.000 milhões de euros. Não obstante, a produção e o consumo massivo de aço diminuiu em 2012, 2013 e 2014. De acordo com as previsões das entidades patronais, esta tendência irá prolongar-se em 2015.

O setor do metal está a ponto de se estabilizar graças à integração vertical e horizontal, após dois anos de marcadas insolvências. As perspetivas para a indústria italiana do aço continuam a ser prudentes, apesar de um modesto crescimento da economia em 2015. O comportamento do setor está altamente ligado com o futuro do maior produtor de aço do país, que tem grande influência sobre os preços nacionais.

Polónia em desvantagem

A Polónia é o quarto maior produtor de aço da União Europeia. Após dois anos de redução da procura, o mercado do aço começou a recuperar em 2014, devido principalmente à recuperação do setor da construção, aos grandes projetos de investimento público da União Europeia que impulsionaram esta procura, fomentando melhorias nas ferrovias e estradas. Esta procura também se apoia num futuro crescimento da produção automóvel. A produção nacional de aço aumentou 8% em 2014, até superar os 8 milhões de toneladas, enquanto o consumo aumentou 17%, até superar os 12 milhões.

O mercado polaco caracteriza-se por uma grande concorrência, especialmente no segmento do aço e da distribuição de metais, devido ao aumento das importações dos concorrentes europeus e asiáticos. Por sua vez, o alto custo de cumprir com as normas ambientais da União Europeia põe os produtores polacos numa situação de desvantagem perante os produtores não europeus.

Instabilidade no Reino Unido

A indústria do metal e do aço britânica beneficiou da recuperação económica do país, ainda que recentemente tenha sido afetada pela evolução do setor da construção, o principal consumidor de aço. A volatilidade das taxas de câmbio, o alto custo da energia, a concorrência e as medidas de austeridade continuam a ter peso no comportamento e na força financeira do setor metalúrgico.

Depois de um começo de ano complicado, as perspetivas para a segunda metade de 2015, para o aço britânico e para a indústria do metal, continuam a ser instáveis, ao que se acrescenta a incerteza derivada da austeridade da zona euro e a desaceleração do crescimento chinês, fatores de risco constantes. Contudo, olhando para 2016, há um certo otimismo de que o setor melhore. Nesta etapa, o acesso a financiamento adicional será a chave para o crescimento das empresas do setor com o objetivo de reabastecer e cumprir com o aumento previsto da procura.

Fonte: Crédito y Caución

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2017-01-01T18:27:49+00:0030/09/2015|Categories: Estatística|Tags: , , , |0 comentários

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