A prenda de despedida de Durão Barroso para David Cameron deixou o primeiro-ministro britânico a fumegar.

Naquela que é a sua última cimeira europeia, o presidente cessante da Comissão Europeia – termina o mandato na próxima sexta-feira – exigiu ao Reino Unido uma contribuição adicional de 2,1 mil milhões de euros para o orçamento comunitário. Os eurocépticos do Reino Unido devem ter caído da cadeira ao saber da notícia.

Numa altura em que cresce o sentimento anti-europeu entre os britânicos, Durão Barroso exigiu mais 2,1 mil milhões de euros a David Cameron para o orçamento comunitário. É que o orçamento acordado em 2012 para o período 2014 – 2020 tem compromissos de despesa superiores às contribuições efectivas dos Estados-membro, tendo ficado definido que as contribuições poderiam aumentar, consoante a evolução das economias perante a crise.

Ora, a economia britânica está a crescer a um ritmo muito superior ao da maioria da União Europeia e a Comissão quer ver isso reflectido no orçamento. A exigência de 2,1 mil milhões de euros é a maior entre as que foram feitas a vários países – entre eles a Holanda, por exemplo – e representa um quinto das transferências anuais de Londres para Bruxelas.

Cameron, que enfrenta eleições em Maio e tem vindo a perder cada vez mais votos para o partido eurocéptico Ukip, foi irónico ao abordar o assunto, admitindo que a economia britânica “está a ir bem”, mas está “preocupado” com os outros países Por isso, disse querer “ouvir sobre os planos que os outros têm” para crescer por si. Mais duro foi um porta-voz do governo britânico, que se reuniu com a delegação holandesa para discutir o assunto.

“Isto é dinheiro com que a Comissão Europeia não contava e não precisa, vamos trabalhar com outros países e fazer tudo o que pudermos para desafiarmos isto”, avisou.

 

Fonte: Económico

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