Embora as taxas Euribor estejam em máximos de 15 meses, o aumento das prestações mensais do crédito à habitação é marginal. E tudo indica que assim permaneça por um período considerável.

As taxas Euribor estão em máximos de 15 meses. A afirmação, embora verdadeira, transmite uma ideia sobredimensionada do fenómeno. Desde os mínimos registados em Maio, nos 0,198%, a Euribor a três meses subiu 0,07 pontos percentuais, para os 0,267%. O que traduzido para a sua carteira significa um aumento de três euros na prestação mensal de um crédito à habitação de 100 mil euros, com ‘spread’ de 1%, a ser pago em 30 anos. E isto considerando os valores absolutos. Tendo em conta a média mensal da Euribor, a medida efectivamente utilizada para calcular a prestação mensal, então a subida será de apenas um euro. A boa notícia é que, apesar das oscilações de caminho, as prestações da casa manter-se-ão baixas durante um longo período. A avaliar pelos contratos de futuros da Euribor a três meses, e também pelo contexto da actual política monetária, é previsível que se mantenham baixas durante, pelo menos, mais dois anos.
Para o cenário de crédito já apresentado, uma família cujo financiamento esteja indexado à taxa Euribor a três meses, paga actualmente 332 euros de prestação mensal. Tendo em conta as actuais projecções do mercado para esta taxa, no final de 2014, esta família estará a pagar 340 euros. Ou seja, um aumento de oito euros no espaço de um ano. Já para Dezembro de 2015, está prevista uma prestação mensal em torno dos 354 euros, que deverá voltar a subir em 2016, desta vez para os 382 euros.
Expectativas construídas em torno da actual política monetária do Banco Central Europeu (BCE). Na sua colaboração semanal no Diário Económico, a IMF nota que: “A Euribor subiu esta semana ao valor mais alto dos últimos 15 meses. É natural que esta tendência de subida lenta se continue a verificar, tendo em conta a forte redução do excesso de liquidez no sistema interbancário. É no entanto pouco provável que a referência a 3 meses passe os 0,40% sem que haja um sinal de alteração de política pelo BCE” (ver pág. 8). A avaliar pelas projecções do próprio BCE, e pelas orientações que o banco central tem vindo a dar ao mercado, não é previsível que o BCE venha a adoptar uma política mais restritiva antes de 2016.
Embora não existam contratos de futuros para a s taxas Euribor a seis e 12 meses, quem tem estas taxas como indexantes deverá beneficiar da mesma tendência, tal como aconteceu este ano. Apesar das subidas das Euribor nos últimos meses, quem revê a prestação em Dezembro sofrerá um aumento de apenas 1,40 euros, no caso de ter a taxa a seis meses como indexante. Já quem optou pela Euribor a 12 meses sentirá mesmo um alívio de quatro euros na prestação mensal.O que o mercado antecipa

Dezembro de 2014
Os contratos de futuros sobre a Euribor a três meses, para Dezembro de 2014, estão a ser negociados nos 0,39%. Uma subida ligeira face aos 0,267% a que a taxa cota actualmente no mercado. Em termos prácticos significa isto que, para um crédito à habitação de 100 mil euros, com um ‘spread’ de 1%, a ser amortizado em 30 anos, a prestação mensal sobe para 340 euros em Dezembro do próximo ano, o que compara com a prestação actual de 332 euros. Embora não existam futuros sobre as taxas a seis e 12 meses, os contratos a três meses servem também de barómetro para estes prazos.

Dezembro de 2015
Já para Dezembro de 2015, os actuais contratos de futuros colocam a taxa em 0,68%. O que significa que, para o exemplo de financiamento descrito, a prestação mensal do crédito à habitação passará para 354 euros dentro de dois anos. Um aumento de 22 euros face ao actual encargo. De notar no entanto que dois anos é um período longo para prever taxas de mercado com exactidão. Estas previsões são baseadas nas perspectivas de evolução da política monetária num período de dois anos, o que significa que qualquer alteração dos pressupostos da política monetária terá um impacto no valor destes contratos.

Dezembro de 2016
As mesmas salvaguardas são válidas, e ainda mais prementes, quando se trata de fazer previsões de taxas a três anos. Qualquer alteração da política monetária até lá provocará certamente alterações nas actuais projecções. No entanto, e a avaliar pelos contratos de futuros da Euribor a três meses para Dezembro de 2016, a taxa deverá situar-se perto dos 1,245% nessa altura. Um valor que coloca a prestação mensal de um crédito à habitação, com as características descritas, em 382 euros em Dezembro de 2016. Ou seja, uma subida de 50 euros face à prestação actual.

 

Fonte: Económico

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