O gestor passa grande parte do tempo em aviões, entre o Rio de Janeiro, Nova Iorque e Londres. Na “cidade maravilhosa” chega ao gabinete, no Leblon, por volta das 8h30.

A fusão entre Portugal Telecom (PT) e Oi, uma das maiores operações de sempre no sector das telecomunicações, já está a transformar a vida de Zeinal Bava. O gestor, que assume a presidência da empresa, tem pela frente uma agenda de trabalho frenética, dividida entre o Brasil e outras praças internacionais: o presidente executivo (CEO) estará as próximas duas semanas no Rio de Janeiro (o gabinete de trabalho fica no Leblon) e depois viajará até Nova Iorque e Londres. Após o anúncio da fusão, comunicado ao mercado na semana passada, Zeinal tem reunido equipas e promovido encontros com gestores – o sistema de telepresença é um dos meios usados para as reuniões.

Na “cidade maravilhosa”, Zeinal chega ao gabinete por volta das 8h30 e só deixa o escritório, em média, 12 horas mais tarde – o gestor, tal como quase todos os executivos de topo no Brasil, anda num carro blindado. Porém, depois do jantar, continua a enviar mensagens de telemóvel ou ‘mails’ aos colaboradores mais próximos sobre os temas do dia. O CEO faz os possíveis por manter uma alimentação cuidada – caso tenha muitas reuniões prefere ficar no gabinete e comer uma refeição ligeira, à base de saladas. No entanto, se estiver no Rio de Janeiro, e algum tempo disponível, aproveita para ir aos bons restaurantes de sushi.

A empresa que resultar da fusão da PT e da Oi – por enquanto conhecida como CorpCo – terá sede no Brasil e nasce com perto de 100 milhões de clientes e 30 mil colaboradores, estando presente em quatro continentes. A operação vai criar a maior empresa luso-brasileira e será a quarta maior fusão do sector este ano. “A ambição é estar entre os maiores ‘players’ globais, assumindo uma vocação multinacional, desde a primeira hora, num sector em profunda transformação e afirmando-se como uma referência em termos de inovação tecnológica, excelência operacional e criação de valor accionista”, disse Zeinal Bava na semana passada.

Desde que assumiu a presidência executiva da PT, em Abril de 2008, que o gestor, de 47 anos, está habituado a ir ao Brasil. Nos últimos anos fez dezenas de viagens para acompanhar a internacionalização da empresa neste país. Porém, a partir de Junho deste ano, o ritmo tornou-se mais intenso. Nesse mês, Zeinal assumiu a presidência executiva da Oi, acumulando com a presidência do Comité de Engenharia & Redes, Tecnologia & Inovação e Oferta de Produto.

O estilo directo e a rapidez das decisões já são uma imagem de marca no outro lado do Atlântico. Nas reuniões de trabalho, ao menor sinal de divagação, Zeinal rapidamente intervém para retomar o foco da conversa. Além disso, os colaboradores da Oi já sabem que Bava se prepara muito bem e detesta quando algum funcionário não se empenha nas tarefas. Muda constantemente o discurso de português para inglês, fruto dos muitos anos em Londres e “raramente se esquece de pequenos pormenores, como o dia do aniversário de um colaborador próximo”, conta uma fonte da operadora.

É normal ver o gestor passar nas lojas e chamar a atenção dos funcionários se alguma coisa não estiver em ordem. Quando recebe um ‘mail’ de um utilizador a reportar problemas com o serviço de internet ou de televisão, responde rapidamente a dizer que já encaminhou o assunto para os técnicos responsáveis. “E, em menos de 24 horas, envia uma segunda mensagem para confirmar se ficou tudo resolvido”, conta uma fonte.

UMA SEMANA AGITADA
Os últimos dias foram dos mais intensos para o executivo, a fazer lembrar o tempo da OPA lançada pela Sonaecom, em que foi o estratega da defesa. No dia 2 de Outubro, quarta-feira, às 7h20, a PT comunicou ao mercado a fusão das operadoras. Os pormenores do negócio tinham sido discutidos pela madrugada fora e, na hora de falar aos jornalistas e analistas, a capital inglesa foi o local escolhido. Depois, Zeinal voltou a entrar no avião para Lisboa e, no início desta semana, já estava novamente no Rio.

A notícia da fusão correu mundo. “Wall Street Journal”, o “Financial Times” e o “New York Times” foram alguns dos meios de comunicação social que destacaram a operação. Em Espanha, o “El Pais” noticiou que “Zeinal Bava foi recebido no Brasil com a alcunha de Messi das telecomunicações”. Há até quem diga que o CEO é um dos gestores mais respeitados a nível mundial e que está para as telecomunicações como o Cristiano Ronaldo e o Mourinho estão para o futebol.

Para a mulher e os três filhos do gestor, o Brasil é uma espécie de segunda casa. Vão há vários anos para a praia do Forte, na Bahia, para passar as férias da Páscoa – esta é a praia preferida de Zeinal para fazer surf. Agora, com a mudança para o Rio de Janeiro, o gestor costuma falar com a família através do telemóvel ou do Skype. Nesta nova vida, o tempo dedicado à jardinagem, um dos seus ‘hobbies’ preferidos, será mais curto. Com tantas horas passadas em aviões, será igualmente mais difícil ver os jogos do Benfica. No entanto, quando aterrar, o CEO quer sempre ser informado do resultado.

 

Fonte: Económico

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