Grupo factura 28 mil milhões de euros por ano e comprou as posições de Manuel Fino e da Elevo na Indáqua.
O grupo alemão Talanx expandiu a sua actividade multinacional a Portugal ao entrar como accionista de referência da Indáqua, uma gestora de sistemas de abastecimento de águas controlada pela Mota-Engil. Numa primeira fase, a Talanx adquiriu 28,57% do capital da Indáqua à SDC – Investimentos por 29,41 milhões de euros, segundo a empresa de Manuel Fino comunicou ao mercado no passado dia 1 de Outubro.
De acordo com esse anúncio, a venda aos alemães da Talanx – um grupo segurador e de fundos de investimento – incluiu os créditos detidos sobre a Indáqua, na proporção da posição da SDC, além da totalidade das participações detidas pelo grupo de Manuel Fino, directa ou indirectamente, nas participadas da Indáqua – Indáqua Feira, Indáqua Matosinhos e Indáqua Vila do Conde – que representavam, de acordo com o comunicado da SDC, respectivamente, 1%, 1% e 0,57% dos respectivos capitais sociais.
Já mais recentemente, conforme apurou o Diário Económico, a Talanx chegou a acordo para reforçar a sua posição na Indáqua, ao adquirir a participação da Hidrante, uma participada da construtora MonteAdriano, que entrou em processo de insolvência e que foi adquirida pelo fundo de recuperação de construtoras Elevo, liderado por Pedro Gonçalves.
Desde 2012, a Mota-Engil tinha reduzido a sua posição accionista na Indáqua para 45% do respectivo capital. Juntando esta participação aos 28,57% anteriormente detidos pela SDC e tendo em conta que só havia três accionistas na Indáqua, presume-se que a posição da Hidrante (Elevo) na gestora de águas seria de 25,43% e que o valor pago pelos alemães da Talanx não terá sido, por isso, muito diferente do que foi acordado com a empresa de Manuel Fino. Deste modo, a entrada da Talanx no mercado português de águas terá exigido um investimento ligeiramente inferior a 60 milhões de euros.
Contactada, fonte oficial da Mota-Engil escusou-se a comentar estas operações. Mas o Diário Económico confirmou junto de diversas fontes do sector que, a partir deste momento, a Indáqua passa a contar apenas com dois accionistas de referência, com posições sensivelmente paritárias, sendo que a Talanx assume o seu perfil de investidor financeiro com solidez confirmada. Um parceiro que a Mota-Engil viu com satisfação pelo que validou esta operação financeira, uma vez que permitirá à Indáqua “dar um novo passo para assegurar a continuidade do seu desenvolvimento estratégico”, referiu uma das fontes do sector contactada pelo Diário Económico.
A Talanx é um dos maiores grupos económicos alemães, com uma facturação anual na ordem dos 28 mil milhões de euros, de acordo com os dados divulgados relativos a 2013. O grupo germânico tem interesses nos seguros, resseguros, fundos de investimento, retalho e imobiliário, entre outros, e está presente em cerca de 150 países.
A entrada da Talanx na estrutura accionista da Indáqua aguarda a luz verde da Autoridade da Concorrência, conforme anúncio publicado na imprensa a 30 de Outubro, mas não se vislumbram problemas de concentração neste caso.
Fonte: Económico