Excedente da balança comercial alemão expande-se mais do que o previsto em Setembro, numa altura em que a maior economia da Zona Euro é criticada, precisamente, por acumular esse excedente.
A Alemanha registou, em Setembro, um excedente comercial nunca antes visto. O excedente comercial, que resulta da diferença entre exportações e importações de bens, alcançou os 20,4 mil milhões de euros. Até aqui, o excedente comercial mais elevado de sempre da Alemanha tinha sido registado em Junho de 2008, na altura de 19,8 mil milhões de euros.
O excedente de 20,4 mil milhões de euros em Setembro, divulgado esta sexta-feira em comunicado no site do gabinete de estatísticas alemão, supera o excedente de 13,3 mil milhões em Agosto e ultrapassa, igualmente, a previsão dos economistas compilados pela agência Bloomberg, que apontavam para os 15,4 mil milhões de euros.
O excedente, ajustado de efeitos sazonais e de calendário, foi de 18,8 mil milhões de euros, segundo a mesma fonte. Em Setembro do ano passado, o excedente ascendia aos 16,9 mil milhões de euros.
O balanço comercial de Setembro resulta de um aumento de 1,7% das exportações em Setembro, face ao mês anterior, para os 94,7 mil milhões de euros. As importações resvalaram 1,9% para os 74,3 mil milhões de euros. Em comparação com o mesmo mês do ano passado, as exportações somaram 3,6%, ao passo que as vendas de bens para fora caíram 0,3%.
Segundo o comunicado do gabinete de estatísticas alemão, a conta corrente da Alemanha, que já inclui além da transacção de bens os serviços e transferências, apresentou um excedente de 19,7 mil milhões de euros no nono mês de 2013, subindo face aos 10,1 mil milhões em Agosto.
O dado divulgado esta sexta-feira vem juntar-se à revisão em alta do saldo da balança corrente de que a Alemanha foi alvo esta semana. A Comissão Europeia, nas suas previsões de Outono, revelou que espera que a maior economia da Zona Euro apresente um saldo de 7% do produto interno bruto em 2014. Nas previsões da Primavera, as expectativas apontavam para 6,3%. Para o próximo ano, também houve uma revisão em alta de 6,1% do PIB para 6,6%.
A acumulação de excedentes externos é considerada um desequilíbrio na união monetária, sendo que o reequilíbrio comercial na região tem sido conseguido com o ajustamento feito por países como Portugal, caracterizados por défices comerciais e da conta corrente. A Alemanha, por sua vez, tem alargado o excedente. São várias as críticas vindas, por exemplo, do Fundo Monetário Internacional e do Tesouro norte-americano. A Zona Euro está atenta.
Fonte: Negócios