O alerta partiu do Fundo Monetário Internacional: todos os países do mundo estão a tentar corrigir os seus desequilíbrios, menos a Alemanha. No seu mais recente relatório, a instituição evidencia que a maior economia europeia voltou a aumentar o excedente das contas externas e que já suplantou a China nesta matéria.
O que quer dizer? Que ao exportar bem mais do que importa, a Alemanha tornou-se país com o maior excedente mundial, o que em última instância, diz a instituição, pode prejudicar o crescimento de países como Portugal.
O problema é simples: como vende mais ao estrangeiro do que compra, a Alemanha não está a aproveitar a sua capacidade económica, e poder aquisitivo das famílias, para incentivar as exportações dos países mais fracos. E isto é precisamente o oposto do que Bruxelas e o FMI pediram a Angela Merkel.
A Alemanha não só não está a comprar como podia fazer aos seus parceiros da zona euro, como está a fazer-lhes concorrência. Pior, nos países periféricos, e do sul da Europa, os juros cobrados às empresas são largamente superiores aos praticados em países como a Alemanha, o que leva a que esta concorrência se torne ainda mais ‘desleal’, já que o esforço de uma empresa nacional acaba por ser bem maior.
Isto, sem falar na capacidade soberana da Alemanha de emitir obrigações a taxas negativas, bem distantes das que Portugal ou os países do Sul conseguem obter.
Com a crise económica ainda longe de estar totalmente ultrapassada, o Fundo Monetário Internacional teme que possa haver um novo deslize e que sejam as economias periféricas do sul da Europa as primeiras a cair.
Por exemplo, Portugal vai crescer este ano pela primeira vez desde 2010, altura em que a economia expandiu 1,9%.
Fonte: Dinheiro Vivo