Uma remuneração mais alta, mas com maior risco, atrai mais clientes aos depósitos indexados, que cresceram 270% em 2012

Quanto maior o risco, maior o ganho potencial. A regra aplica-se também aos depósitos bancários. Mesmo que tenham capital garantido, há depósitos que oferecem remunerações potenciais mais apetecíveis, mas que podem não se concretizar. É assim que funcionam os depósitos indexados e duais, cuja remuneração depende do comportamento de um determinado mercado, ou que combinem as duas possibilidades.

Apesar de uma maior exigência na definição e na divulgação das suas características, estes produtos complexos, assim os designa o Banco de Portugal, têm vindo a ganhar a adesão dos clientes bancários. O montante aplicado nestes produtos totalizava no final do ano passado 2029 milhões de euros, o que traduz um acréscimo de 111% face ao ano anterior, revela o relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho de 2012. Este documento do Banco de Portugal, que pela primeira vez foi divulgado, assinala ainda que durante o primeiro trimestre deste ano “continuou a verificar-se um elevado crescimento das aplicações neste tipo de depósitos, tendo o seu número e os montantes aplicados superado significativamente os valores registados nos trimestres anteriores”.

A preferência dos clientes, quase todos particulares, vai para os depósitos indexados, que registaram um crescimento de 270% no valor aplicado e de 74% no número de depósitos. O número de depositantes subiu 258% e o montante médio aplicado por depósito indexado cresceu 5,5%, para 12,3 mil euros. A oferta destes produtos também está a aumentar. No primeiro trimestre foram comercializados 23 produtos, mais 64% que em igual período de 2012. O Banco Santander Totta é o maior comercializador.

Apesar de apresentar um “grau de risco considerável, na medida em que estão indexados à evolução do preço de outros instrumentos ou variáveis financeiras, potencialmente sujeitos a uma maior volatilidade”, estes depósitos oferecem também “uma garantia mais segura que o investimento directo nos mercados indexantes”, assinala o relatório. As cotações em bolsa de uma empresa ou índice – são o indexante mais procurado, seguido do mercado de taxas de juro, do cambial. Já as matérias primeiras (ouro ou petróleo) quase desapareceram da oferta disponível. O crescimento da procura por este tipo de aplicação, que ainda é uma parcela reduzida do total dos depósitos, é uma reacção à descida da remuneração nos depósitos a prazo clássicos. Esta tendência acentuou-se a partir de 2012, quando o Banco de Portugal impôs limites às taxas oferecidas e com a descida das taxas de referência (Euribor). Em Junho, a rendibilidade média das aplicações a prazo na banca estava nos 2%, o valor mais baixo desde 2010.

Mas quando chega a hora de comparar as remunerações os resultados podem desapontar. Dos 23 depósitos indexados vencidos no ano passado, sete não pagaram qualquer remuneração. Noutros sete, foi paga a remuneração mínima. Em apenas um caso foi atribuída a remuneração máxima. Quando a comparação é feita com os depósitos simples para o mesmo prazo, a conclusão é que num terço dos produtos indexados a taxa anual nominal bruta foi superior.

DEPÓSITOS SOBEM EM JULHO A banca continua a atrair as poupanças dos particulares. Dados do Banco de Portugal revelam um crescimento de 388 milhões de euros nos depósitos em Julho, que atingiram o valor mais alto dos últimos 11 meses e o terceiro maior valor de sempre, nos 132 137 milhões de euros. A banca tem beneficiado do aumento do nível de poupança, mas também da fuga dos aforradores da dívida pública, movimento que só agora começa a inverter.

O montante dos depósitos não superava os 132 mil milhões de euros desde Agosto do ano passado, altura em que atingiu o seu mais alto valor desde que há registo, nos 132 475 milhões de euros.

Só três vezes o valor dos depósitos esteve acima dos 132 mil milhões de euros. No final do mês passado e em Julho e Agosto de 2012.

Fonte: Jornal i

Comentários

comentários