Os bancos portugueses financiaram em quase 5,4 mil milhões de euros novas operações de crédito, em Junho. Este é o montante mais elevado desde Dezembro e é justificado pelo aumento dos empréstimos a grandes empresas. O crédito à habitação voltou a atingir os 200 milhões de euros.

A banca nacional emprestou um total de 5.395 milhões de euros, em Junho, para financiar novas operações. Este montante representa um aumento de 10,73%, ou 523 milhões, face ao mês anterior, e um acréscimo de 26,7% quando comparado com igual período do ano passado, de acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal.

O valor observado em Junho é também o mais elevado desde Dezembro de 2013, mês em que as novas operações de crédito ascenderam a 5,5 mil milhões. Apesar do aumento, este valor continua bastante abaixo dos montantes observados em 2008, antes da crise financeira ter eclodido. Na altura, os novos financiamentos superavam os sete e os oito mil milhões mensalmente.

Além de se ter verificado uma redução significativa na concessão de crédito, houve também uma alteração do perfil. Em 2008, os financiamentos a empresas representavam entre 65% a 70% do total dos empréstimos, com as grandes e pequenas e médias empresas a repartirem a factura de uma forma mais equilibrada. Em Junho deste ano, 89% dos empréstimos foram concedidos a empresas e os grandes projectos, cujos investimentos são superiores a um milhão de euros, representaram mais de 60% da fatia destinada a empresas.

Assim, no total, a banca financiou as empresas em 4,79 mil milhões de euros, mais 13% do que no mês anterior e mais 27,8% do que no ano passado. E deste montante, 3,26 mil milhões de euros foram empréstimos superiores a um milhão de euros. Só neste segmento verificou-se um acréscimo de 27% face a Maio, ou seja, 693 milhões de euros. As pequenas e médias empresas captaram 1,53 mil milhões de euros, menos 7,5% do que em Maio, segundo os dados do Banco de Portugal.

Para as famílias foi destinado 11% do total dos empréstimos concedidos durante o mês em análise. Foram 599 milhões de euros financiados para a compra de casa, crédito ao consumo ou crédito para outros fins, onde se inclui educação, energia e empresários por conta própria. Este montante é menor em quase 7% do que o valor verificado em Maio.

A determinar esta queda estiveram os segmentos de crédito ao consumo e para outros fins, já que os empréstimos para a compra de casa aumentaram 10,5% para 200 milhões de euros, em Junho. Este é o valor mais elevado desde Dezembro do ano passado. Longe continuam os valores observados antes da crise financeira, altura em que as novas operações de crédito à habitação superavam os 1,5 mil milhões de euros mensalmente.

No crédito ao consumo verificou-se uma queda mensal de 2,3% para 207 milhões de euros. Já no segmento para outros fins a descida foi de 23,5% para 192 milhões de euros. Apesar destas descidas estes valores continuam mais altos do que os observados no ano passado.

 

Fonte: Negócios

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