O Banco de Portugal reviu em baixa a previsão de crescimento económico para este ano, assim como a inflação e o excedente externo, mas considera que as revisões são pequenas e não colocam em causa sucesso do ajustamento.
O Banco de Portugal reviu em baixa a previsão de crescimento económico para este ano de 1,1% para 0,9%, um valor mais baixo que o avançado pelo Governo e pelo FMI que ontem apontaram para que o PIB nacional avance 1% em 2014. A autoridade monetária reviu também em baixa o valor da inflação e de excedente externo.
A economia portuguesa deverá crescer menos do que o esperado no Verão e o resultado só não é pior porque uma recuperação do consumo privado e do investimento (procura interna) irão contrariar o efeito negativo de uma revisão em baixa do crescimento das exportações e do consumo público, assim como de um aumento das importações.
“Para o conjunto de 2014, projecta-se um crescimento do PIB de 0,9%, o que representa uma revisão em baixa de 0,2 pontos percentuais face à projecção apresentada no Boletim Económico de Junho. Esta revisão é essencialmente explicada por uma revisão em baixa do consumo público, bem como pela incorporação de informação mais recente relativa ao comércio externo”, lê-se no Boletim Económico de Outono do banco central divulgado hoje.
O banco central também reviu em baixa o valor esperado para a inflação em 2014, apontando agora para uma estagnação da evolução dos preços (0,2% em Junho), o que traduz a expectativa de uma aceleração de preços no segundo semestre.
O menor dinamismo das exportações e a aceleração das importações contribuiu para uma previsão de saldo externo (medido pela balança corrente e de capital) de 2,2% do PIB, um valor que compara com os 2,8% do PIB avançados pela autoridade monetária em Junho. Ainda assim, o banco central considera que o excedente obtido confirma que o ajustamento económico está a funcionar.
“Estas projecções para 2014 mantêm alguns traços do ajustamento macroeconómico em curso, incluindo um excedente significativo da balança corrente e de capital (2,2 por cento do PIB), bem como a continuação do processo de consolidação orçamental”, lê-se no documento, onde se dá conta de que nos primeiros seis meses do ano o défice orçamental (sem medidas extraordinárias) baixou 0,8 pontos.
Fonte: Negócios