A economia continuará a destruir emprego em 2013, mas esta situação conhecerá uma inversão um ano depois. As mais recentes projeções do Banco de Portugal (BdP), ontem divulgadas, apontam para um crescimento do emprego da ordem dos 0,5% em 2014, o que se traduzirá em mais 22 mil empregos. Em 2015, este cenário deverá repetir-se. Nos salários, depois do ajustamento registado, aponta-se para alguma evolução em linha com o crescimento da produtividade.
Esta melhoria do cenário do mercado de emprego irá sustentar uma recuperação do consumo privado e do investimento acima do anteriormente esperado. E são estes fatores que explicam que, neste Boletim Económico de Inverno, o BdP espere agora que a economia contraia 1,5% este ano (contra -1,6% antes apontados e acima da previsão de -1,8% do Governo) e avance para terreno positivo em 2014 e 2015, crescendo 0,8% e 1,3%, respetivamente. Ainda assim, em termos acumulados, o PIB contraiu 6% entre 2011 e 2013.
Outro dos motores associados a esta retoma da economia são as exportações, com a instituição liderada por Carlos Costa a projetar taxas de crescimento anuais médias de 5,5%, ainda que perdendo algum fôlego a cada ano.
Em relação ao emprego, e apesar de em 2014 o BdP esperar que se inverta o ciclo de destruição destes últimos anos, 2013 deixará ainda um registo negativo. Ou seja, o emprego encolherá 2,9%, o que se traduzirá na destruição de 134 mil postos de trabalho. Em termos acumulados, entre 2011 e 2015, Portugal registará uma queda de 8% no emprego.
Entre as projeções anteriores e as que agora integram este boletim, o Banco de Portugal aponta para um maior contributo da procura interna na recuperação da economia. Neste sentido, estima que esta entre já em terreno positivo em 2014, crescendo 0,1%, subindo para 0,9% um ano depois. Serão “crescimentos moderados”, que se “encontram condicionados pela evolução do rendimento disponível real” e da desalavancagem das famílias.
Ainda assim, depois da quebra do rendimento disponível observada em 2013 – devido sobretudo ao agravamento da carga fiscal -, deverá registar-se alguma estabilidade em 2014, junto do sector privado. E ainda que estime que a manutenção das condições relativamente desfavoráveis do mercado de trabalho “deverão condicionar a evolução das remunerações”, o BdP admite “uma evolução salarial consistente com” os ganhos de produtividade. Tudo isto deverá levar a “alguma recuperação moderada do rendimento disponível”, em 2015, partindo do pressuposto de que não haverá medidas adicionais além das previstas no OE 2014. Em relação à função pública, registar-se-á nova descida tendo em conta o novo esquema de cortes salariais previsto no Orçamento do Estado.
Taxa de poupança recua
A dinamização do consumo privado e a evolução do rendimento disponível deverá implicar já uma estabilização da taxa de poupança em 2013 (que no segundo trimestre tinha ascendido a 11,9% do PIB) e a uma ligeira redução em 2014. Ou seja, depois de terem reagido à crise e austeridade de forma mais cautelosa do que o esperado, o índice de confiança das famílias dá sinais de recuperação. Estes sinais são visíveis, por exemplo, no volume de levantamentos de dinheiro na rede Multibanco (cujo montante cresceu 2,3% homólogos no arranque desta época natalícia).
As projeções contam também com uma subida do investimento, que, depois de uma quebra de 8,4% em 2013, deverá crescer 1% em 2014 e 3,7% em 2015.
Numa primeira reação aos números agora divulgados, o BE optou por acentuar a quebra acumulada de 6% do PIB entre 2011 e 2013 e o PCP apontou o crescimento anémico que se perspetiva. Já o PS considerou “pouco credíveis” e incompreensíveis estas projeções.
Fonte: Dinheiro Vivo