O Barclays foi multado em 26 milhões de libras (32,1 milhões de euros) por falhas de controlo sobre o preço do ouro, o que ocorreu apenas um dia depois do banco britânico ter sido multado em 450 milhões de dólares (330,4 milhões de euros) por manipulação das taxas de juros Libor.

Este é o primeiro banco a ser multado devido à manipulação do mercado do ouro. No entanto, a multa do Barclays foi um caso único e não faz parte de uma investigação mais ampla sobre a manipulação do preço no mercado de ouro.
A Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido disse que houve falhas no Barclays desde 2004 até 2013, mas o principal evento ocorreu em 28 de Junho de 2012.
A cotação do ouro em Londres, referência usada por joalheiros e bancos centrais para valorizar o metal, pode ter sido manipulada na última década pelos bancos. A cotação é fixada todos os dias, em Londres, por agentes do mercado e é gerida por cinco dos maiores bancos europeus.
Esta cotação é acertada, todos os dias, às 10h e às 15h, através de ‘conference-call’, pelos representantes dos cinco maiores intermediários da matéria-prima. A gestão do preço final é apurada por cinco bancos: Deutsche Bank, Bank of Nova Scotia, HSBC, Barclays e Société Générale.
Segundo as regras da Lond Gold Market Fixing, cada instituição declara o número de barras de ouro que está disposta a vender ou a comprar nesse dia ao preço de referência em uso. A negociação começa e o preço vai variando até que a disponibilidade de barras de ouro caia abaixo das 50. É então fixado o preço de referência para o novo período.
Recentemente, surgiu um estudo que lança suspeitas de manipulação da cotação do ouro. Esta suspeita baseia-se em alterações aos padrões comerciais por volta das 15h, quando a correcção é definida numa conferência privada entre os cinco maiores comerciantes de ouro, avança um ‘paper’ assinado por Rosa Abrantes, da Universidade de Nova Iorque, e por Albert Metz, um director na Moodys.
As suspeitas sobre o ouro surgem no meio de vários outros processos ligados a manipulação de outros activos, como o petróleo, e também de taxas de juro.
As acções do Barclays estão a subir 0,68% na bolsa londrina.
O Barclays, que anunciou que vai sair de Portugal, continua a promover uma reestruturação a nível mundial que pode levar à extinção de 14 mil postos de trabalho só este ano. O objectivo do banco é centrar-se em quatro grandes áreas, no qual não há lugar para a operação de retalho em vários países, como Portugal, Espanha e Itália.
Até ao momento, foram fechados cerca de 100 balcões só na Europa, com 400 profissionais a ficarem sem posto de trabalho. Em Portugal, o Barclays detém 147 agências.
A estratégia de reestruturação deverá passar pela formação de uma nova sociedade, no qual serão ‘depositados’ as áreas de negócio não rentáveis ou que não integrem as principais estratégias operacionais.
Fonte: Económico