As acções gregas voltaram hoje às quedas acentuadas e as taxas da dívida soberana continuam a escalar. A bolsa grega perde hoje mais de 4%, aumentando a dimensão dos prejuízos das últimas três sessões para 17,23%.

A forte desvalorização ocorreu depois do primeiro-ministro, Antonis Samaras, decidiu antecipar a escolha do novo presidente, que é eleito através de votações no parlamento. Isto numa altura em que o fim do programa de resgate foi adiado.

O sector da banca é o mais atingido, com o Attica Bank a perder mais de um terço do valor em três dias. Já o National Bank of Greece e o Piraeus Bank sofrem desvalorizações em torno de 25% desde terça-feira.

Também as taxas da dívida pública não têm sido poupadas com o regresso da incerteza política a Atenas. Os juros implícitos a dez anos sobrem de 7,245% para 8,655% nas últimas três sessões.

A escolha do presidente grego passa pelo parlamento. No mínimo, para o nome proposto passar poderão ser necessários entre 180 a 200 votos, sendo que há a possibilidade de haver três diferentes votações (a primeira está agendada para 17 de Dezembro, a última poderá ocorrer a 29 de Dezembro). Caso não sejam obtidos votos suficientes, poderão ser convocadas eleições legislativas antecipadas.

“A conclusão é que a Grécia irá enfrentar um período de incerteza até a eleição estar concluída”, referiram os analistas do JP Morgan Asset Management numa nota aos clientes.

Os outros mercados da periferia europeia também têm sido penalizados pelo regresso da incerteza política à Grécia. Mas os danos são menores. Em Portugal, o PSI 20 perde 5,18% nas últimas três sessões e as taxas das obrigações do tesouro a dez anos sobrem de 2,818% para 2,944% nesse período. Aliás, hoje, os juros implícitos até registam um ligeiro alívio.

“Apesar da incerteza política na Grécia poder causar alguma volatilidade nos mercados europeus, grande parte dos danos serão sentidos pelos detentores de acções e dívida grega”, considera o JP Morgan.

 

Fonte: Económico

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