Fernando Ulrich poderá propor integração do Novo Banco no BPI, ficando o Fundo de Resolução com uma participação accionista. Santander também está na corrida ao BES “bom”.
A fractura existente entre, por um lado, o Governo, o Banco de Portugal e os bancos privados e, por outro, a administração do Novo Banco, era visível há várias semanas, mas poucos no mercado esperavam que a gestão se demitisse neste fim-de-semana. O certo é que a saída da equipa de Vítor Bento, Moreira Rato e José Honório deverá precipitar a venda do Novo Banco no curto prazo, com o BPI e o Santander a posicionarem-se como os mais prováveis compradores, sabe o Diário Económico.
Segundo as mesmas fontes, até ao final do ano, estará no mínimo fechado o modelo de venda do Novo Banco. Desejavelmente, estará também escolhido o comprador. Para o processo de venda arrancar, falta ainda a conclusão da auditoria da PwC ao balanço ‘zero’ do Novo Banco, a par do desfecho do Asset Quality Review, do Banco Central Europeu.
Neste contexto, o BPI estará especialmente bem posicionado para a compra do Novo Banco. Conta, para tal, com o suporte da sua accionista angolana, a empresária Isabel dos Santos, tal como o Diário Económico noticiou a 1 de Agosto, dois dias antes da intervenção do Estado no BES.
Há quase 15 anos, o BPI chegou a ter casamento marcado com o antigo BES, mas a operação falhou devido a desentendimentos com a família Espírito Santo. O acordo firmado entre os dois bancos em Janeiro de 2000 previa que os accionistas do BES ficassem com 59% do capital, enquanto os do BPI teriam os restantes 41%. Numa reviravolta da História, Ulrich poderá ter agora a oportunidade de fazer a operação, mas com uma relação de forças inversa.
Em cima da mesa, sabe o Económico, poderá estar a integração do Novo Banco no BPI. O Fundo de Resolução, que hoje detém o Novo Banco, ficaria como accionista do BPI, no valor da sua participação actual de 100% do Novo Banco. Desta forma, o Fundo poderia vender a sua participação no BPI no mercado, faseadamente, ou mesmo aliená-la ao próprio BPI, em altura mais conveniente.
Segundo as mesmas fontes, para a accionista angolana do BPI, um cenário de fusão com o BESpermitir-lhe-ia ter uma posição de referência no que seria o maior banco português, com activos superiores a 110 mil milhões de euros, acima da actual líder CGD (100 mil milhões) e do BCP (80 mil milhões). Porém, o BPI não é o único que tem estado em contactos com o BNP Paribas, o assessor financeiro que o Banco de Portugal encarregou de vender o Novo Banco. Também o Santander tem estado de olho no banco “bom” que resultou da resolução do antigo BES. O BBVA e o BIC são também vistos como potenciais interessados.
Fontes do mercado contactadas pelo Diário Económico destacaram o facto de a nova administração do Novo Banco não incluir gestores vindos directamente do BPI ou do Santander, embora o novo presidente, Eduardo Stock da Cunha, tenha feito parte do núcleo duro de Horta Osório no Santander e no Lloyds. O objectivo será evitar conflitos de interesse.
Mandato para vender
O mandato da nova gestão é claro: o Novo Banco deve ser vendido assim que possível, não havendo margem para equívocos. Num comunicado ontem divulgado, o Banco de Portugal frisou que a prioridade, com as medidas de resolução do BES, é “salvaguardar o interesse dos clientes do Novo Banco, dos seus trabalhadores e do sistema financeiro”.
“Tal exige que num prazo tão curto quanto razoavelmente exequível, o Novo Banco passe a contar com uma estrutura accionista estável e que garanta o desenvolvimento de um projecto criador de valor para a instituição, para os seus trabalhadores, para o sistema financeiro e para a economia nacional”, salientou.
Contactada, fonte oficial do Santander Totta não quis comentar. Não foi possível obter comentários de fonte oficial do BPI.
Fonte: Económico