O banco tem participações na BPI Vida, Allianz e Cosec.
A entrada em vigor do novo acordo de capital de Basileia III irá, regra geral, penalizar os bancos pelos investimentos em outras instituições financeiras e companhias de seguros. O BPI admite, por isso, avaliar a sua carteira de participações em seguradoras, não se sabendo se tal pode ou não implicar o desinvestimento em algumas destas aplicações.
Na ‘conference call’ com analistas, realizada na passada quinta-feira, no seguimento da apresentação dos resultados semestrais, Fernando Ulrich admitiu ser “na área seguradora” que existem “mais oportunidades para melhorar a nossa situação de capital”. Ainda assim, lembrou a importância, quer para o negócio, quer em termos estratégicos, destas participações. O CEO do BPI explicou, por isso, aos analistas que não iria adiantar quaisquer detalhes sobre o que poderá ser feito, até porque o tema terá de ainda de ser detalhadamente discutido com o Banco de Portugal e com a Autoridade Bancária Europeia.
O banco tem 100% do capital do BPIVida, 35% da Allianz Portugal e 50% da seguradora de crédito COSEC, em parceria com a Euler Hermes, que tem os outros 50% e que é, ela própria, maioritariamente detida pela Allianz. Com Basileia III, a detenção de participações em seguradoras será mais penalizadora para os rácios de capital dos bancos. Em Basileia II – o regime que ainda vigora – as deduções da exposição à actividade seguradora incidiam sobre todo o capital, enquanto sob as regras de Basileia III os rácios ‘core tier’ 1 e ‘tier’ 1 serão individualmente afectados.
No entanto, a simples decisão de desinvestimento por parte dos bancos do negócio dos seguros está longe de ser evidente, já que constitui uma importante fonte de receitas dos grupos bancários em Portugal. Mais ainda numa altura em que os proveitos da banca estão a ser altamente afectados pela conjuntura económica.
O novo acordo, que traz novas regras e exigências em termos de capital, entra em vigor já em Janeiro de 2014, prevendo um período de implementação faseada que vai até 2019.
Questionado pelos analistas sobre o tema, Ulrich recordou que “a BPI Vida é um elemento muito importante do nosso modelo de negócio” e que portanto não poderá ser analisado apenas em termos do que se poupa ou não em capital. Já quanto às restantes duas participações, em causa está a parceria com a alemã Allianz, accionista histórico do BPI. Tudo terá, por isso, de ser analisado e o ‘board’ decidirá o que deve ser feito, adiantou o responsável.
Há alguns anos, o BPIchegou a ter em cima da mesa a hipótese de alienar à casa-mãe alemã os seus 35% na Allianz Portugal, mantendo no entanto o acordo de distribuição. As mudanças acabariam por nunca se concretizar.
Fonte: Negócios