O Presidente da República apelou hoje à antiga amizade e comunhão de pontos de vista entre Portugal e a Suécia sobre a “demasiada exigência” das normas europeias relativamente as empresas, para apelar à maior cooperação económica entre ambos os países.

Cavaco Silva falava no encerramento de um fórum empresarial com representantes de algumas dezenas de empresas portuguesas e suecas, que culminou a manhã do segundo dia da visita oficial do Presidente da República à Suécia.

Para o Presidente, a reputação das empresas suecas e a ajuda prestada pela Suécia nos anos 70 no planeamento e implementação dos programas sociais de saúde e segurança social são um fator a mais para o “sucesso” de eventuais parcerias”: “Quero acreditar que a experiência sueca será um bom apoio para Portugal na sua atual nova fase de industrialização”, disse o Presidente.

“Enorme esforço”

Sobre a situação portuguesa, Cavaco Silva não escondeu que o país está a fazer um “enorme esforço na realização de um ajustamento macroeconómico e financeiro”, que implica “um importante e ambicioso programa de reformas estruturais, a fim de aumentar a flexibilidade e a competitividade da economia”.

“As instituições internacionais reconhecem que as reformas estruturais estão, de um modo geral, no caminho certo e que as autoridades portuguesas demonstraram uma elevada transparência e um aprofundado empenhamento em todo o processo”, afirmou ainda.

Custos injustos

Mas num país cuja política oficial é bastante crítica da chamada “solidariedade europeia” e dos mecanismos de maior integração europeia (a Suécia não faz parte da zona euro), o Presidente não se coibiu em afirmar que Portugal tem suportado “os custos da fragmentação do mercado financeiro europeu”, que se traduzem nomeadamente nos custos elevados dos empréstimos para as empresas portuguesas.

Esses custos “têm sido bastante injustos e, pior, economicamente ineficazes”, sublinhou o Presidente, acrescentando que, apesar disso, as empresas portuguesas têm conseguido “resultados excecionais nos mercados internacionais nos últimos anos”.

As vantagens portuguesas

Cavaco Silva sumariou depois as vantagens portuguesas em termos económicos, referindo-se não apenas aos sectores tradicionais como aos novos tecnologicamente mais avançados, citando os exemplos da moda, design, inovação e gestão de cadeia logística, bem como as tecnologias de informação, comunicação, preservação e gestão ambiental, planeamento e renovação urbana e a eficiência energética.

Outras “vantagens competitivas únicas ” citadas pelo Presidente referem-se à localização prioritária em muitos empreendimentos para o mercado europeu e – tema sempre presente nas intervenções de Cavaco Silva – as “ligações históricas e culturais de longa data” com África e América Latina.

Esse facto, afirmou, permite a Portugal “ser uma plataforma privilegiada de contacto com estes países, uma plataforma com uma rede já estabelecida e know-how operacional, aberta a empresas suecas interessadas em trabalhar com esses mercados”, disse ainda o Presidente que, da parte da tarde, irá visitar Kista (lê-se Chista), o chamado Silicon Valley sueco.

Amanhã de manhã, Cavaco Silva terá um pequeno almoço com representantes de 11 grandes empresas suecas – o “PIB sueco”, como se lhe referiu o representante do AICEP.
Fonte: Expresso

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