O bloqueio do Citius está agravar os problemas de tesouraria, refere o presidente da CCP. Em causa estão os atrasos nas decisões sobre processos de dívida, litígios contratuais ou insolvências.

Os atrasos nas decisões sobre processos de dívida, sobre litígios contratuais ou insolvências, agora agravados pelo bloqueio do Citius, estão a afectar a tesouraria das empresas, referiu esta quarta-feira o presidente da Confederação do Comércio e Serviços (CCP), João Vieira Lopes.

O bloqueio do Citius “agrava a tesouraria e, nalguns casos, compromete a viabilidade das empresas”, ao mesmo tempo que cria um “sentimento de impunidade” num país que já tem “um problema de pagamentos em atraso”, disse o presidente da CCP, em declarações ao Negócios.

João Vieira Lopes destaca três situações concretas: o atraso na decisão sobre processos de dívidas, de cuja cobrança dependem algumas empresas, sobretudo numa altura de dificuldade no acesso ao crédito; o atraso na resolução de lítígios contratuais, por exemplo na área da representação do produto; e a paralisação dos processos de insolvência, já noticiada, que na prática adia a recuperação do dinheiro por parte dos credores.

“A morosidade da Justiça portuguesa e a falta de vocação para determinadas áreas económicas é já um indicador negativo para a atracção de investimento. Esta perturbação ainda o vai agravar”, resume o presidente da CCP.

João Vieira Lopes vai levantar a questão na próxima reunião de concertação social, marcada para segunda-feira, dia 6 de Outubro.

Esta terça-feira o ministério de Justiça anunciou que está a preparar “um projecto legislativo para salvaguardar eventuais problemas decorrentes dos transtornos gerados”, mas não revelou o seu conteúdo. Magistrados e advogados têm reclamado a suspensão dos prazos processuais durante o período em que a plataforma informática estiver parada.

 

Fonte: Negócios

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