No seu habitual artigo de opinião no Diário de Notícias à segunda-feira, João César das Neves defende que “quando a banca se recusa a vender”, algo que caracteriza como “monos” que estão nos balanços, “para não assumir perdas, que são evidentes, ela surge como sabotadora da economia que devia servir”.

“A economia precisa de crédito para se levantar. Existem até investidores interessados em comprar e recuperar os monos dos balanços bancários, desde que cotados a desconto. Quando a banca se recusa a vender para não assumir perdas, que são evidentes, ela surge como sabotadora da economia que devia servir. Só admitindo a verdade se sai da crise”, concluiu João César das Neves, no habitual espaço de opinião que tem às segundas-feiras no Diário de Notícias (DN).

O economista e professor universitário começa por assinalar que “não existem crises financeiras sem culpas avassaladoras da banca”. Porém, “a banca portuguesa tem alimentado o mito de que, apesar da convulsão mundial, o seu balanço está livre de lixo tóxico e portanto imune aos problemas das congéneres, nomeadamente espanholas”.

“Surge assim como inocente da euforia que gerou o desastre, pretendendo-se apenas vítima dos apertos da recessão. Essa ideia, credível e conveniente durante a fase mais negra, começa a constituir um obstáculo à recuperação”, acrescenta.

Salvaguardando que os bancos portugueses estiveram “na sua maioria, imunes ao contágio financeiro global de há seis anos”, César das Neves aponta, no entanto, que “existiu também uma euforia financeira doméstica, que usou irresponsavelmente crédito interno e externo (…)  em projectos vácuos e mirabolantes”. Exemplos disso ocorreram na segunda metade da década de 1990 e nos “primeiros anos do milénio” que foram “férteis em projectos optimistas que realmente nunca chegaram a lado nenhum”. Nesta época, surgiram projectos públicos como o TGV e o novo aeroporto de Lisboa. Na esfera privada, existiram “miríades” muitas das quais “chegaram mesmo a ser criadas, para depois nunca terem os efeitos pretendidos”.

Por isso, “tudo, público ou privado, acaba sempre a apodrecer na banca”. E por isso conclui que a “economia precisa de crédito para se levantar”. “Existem até investidores interessados em comprar e recuperar os monos dos balanços bancários, desde que cotados a desconto. Quando a banca se recusa a vender para não assumir perdas, que são evidentes, ela surge como sabotadora da economia que devia servir. Só admitindo a verdade se sai da crise”.

 

Fonte: Negócios

Comentários

comentários