Accionista da REN quer garantir uma base europeia alargada e de suporte pós-venda para os seus produtos e serviços. Já a Efacec procura ganhar músculo financeiro para voltar a crescer.

O grupo chinês State Grid, accionista de referência da Redes Energéticas Nacionais (REN), está a negociar a entrada no capital da Efacec, o maior grupo industrial português de electrónica e electromecânica, controlado em partes iguais pelo Grupo José de Mello e pela Têxtil Manuel Gonçalves.

Há muito que a empresa portuguesa liderada por João Bento, ex-administrador da Brisa, procura um parceiro que lhe permita recuperar o músculo financeiro perdido com a crise e as perdas registadas em alguns dos seus principais mercados internacionais (sobretudo Brasil e EUA), e também abrir as portas a geografias mais promissoras. Uma estratégia que levou a Efacec a manter contactos, que se revelaram infrutíferos, com a empresária angolana Isabel dos Santos, apurou o Diário Económico.

Presente em mais de 65 países, entre os quais o Brasil, que é o maior alvo de internacionalização da State Grid, a Efacec registou em 2013 um volume de negócios de 692 milhões de euros e prejuízos de 90,5 milhões. Os números constam de uma apresentação institucional do grupo José de Mello, já que as contas de 2013 não foram ainda divulgadas. Facto que fonte oficial do grupo explica estar dependente da realização de uma assembleia geral.

A Efacec viveu, no último exercício, um processo de reestruturação que abrangeu várias áreas de negócio. Já este ano, vendeu a Efacec ACS-Advanced Control Systems, sediada em Atlanta, EUA. Na Índia, o grupo detinha duas parcerias com a Control and Switchgear, tendo acabado por alienar a empresa que vendia aparelhagem de média tensão. Incluída na lista dos principais fornecedores da REN (estima-se que o mercado interno represente cerca de um terço da sua facturação), a Efacec posiciona-se como uma rampa de lançamento da State Grid para o mercado europeu.

Desde que adquiriu em Fevereiro de 2012 uma participação de 25% da REN, por cerca de 378 milhões de euros, tornando-se no seu maior accionista, a State Grid tem manifestado vontade em ter uma base europeia mais alargada, assegurou ao Diário Económico fonte ligada ao processo. O objectivo é que, além da construção de infra-estruturas de transporte de electricidade, possa também fornecer serviços de manutenção e pós-venda, uma valência de que não dispõe. A State Grid não tem escondido também o seu interesse no reforço das interligações energéticas projectadas no quadro da dinamização do mercado europeu de energia.

Sobre as negociações com o grupo estatal chinês, fonte oficial da Efacec adiantou apenas que “essa é uma questão que tem de ser colocada aos accionistas”, acrescentando que o presidente da Efacec sempre manifestou publicamente abertura para a entrada de um novo accionista e que, “quando chegar esse momento, será anunciado”.

 

Fonte: Económico

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