A Cimpor descobriu uma nova fórmula para produzir cimento que lhe permitirá reduzir a pegada de CO2 em 25%. Segundo as contas da cimenteira controlada pelos brasileiros da Camargo Corrêa, se a invenção fosse hoje aplicada em todas as fábricas do grupo, seriam emitidos menos quatro milhões de toneladas de CO2 por ano, o que permitiria uma poupança de 20 milhões de euros. Atualmente, a Cimpor emite 15 milhões de toneladas de CO2 por ano e o custo de cada tonelada é de cinco euros.
Os trabalhos de investigação arrancaram há um ano e meio no Instituto Superior Técnico (IST) e esta descoberta, refere Paulo Rocha, o responsável de Investigação & Desenvolvimento da Cimpor, é a primeira com resultados ao nível das matérias-primas. “Têm surgido pequenos triunfos da parte de outros players do sector, mas ao nível do produto. No nosso caso, a abordagem é diferente, incide antes ao nível da matéria-prima. Daí a decisão de registar a patente”, acrescentou. A descoberta será, por isso, objeto de patente, desde já, nos países signatários do Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes para as Invenções e Modelos de Utilidade (PCT).
Para já, a patente não será tornada pública, beneficiando do chamado estado de graça, durante um ano, para que a Cimpor e os investigadores do Técnico possam introduzir melhorias. Só depois se passará da fase laboratorial à escala industrial. “É um projeto a quatro anos. Teremos que discutir a passagem da descoberta à escala industrial. A ideia será mexer o mínimo possível no processo de fabrico”, adiantou Paulo Rocha.
A Cimpor e o IST assinam hoje um protocolo para cooperação científica e tecnológica para inovação e desenvolvimento tecnológico. A redução da pegada de CO2 na produção de cimento é apenas um dos projetos em desenvolvimento pelas duas entidades.
Fonte: Dinheiro vivo