Portugal vai partir para 2015 com metade das necessidades de financiamento já assegurada.
O levantamento de 1.200 milhões de euros em obrigações a dez anos, com a taxa de juro a cair para mínimos desde, pelo menos, 2005, surpreendeu o mercado pela positiva. E, para o Estado, o último leilão do ano significa que metade dos 15,2 mil milhões de euros em financiamento necessário para 2015 está já nos cofres.
“Foi um resultado impressionante”, referiu David Schnautz, estratega do Commerzbank, ao Económico. “Ser capaz de alocar 20% acima do montante máximo esperado e mesmo assim com preços abaixo dos praticados no mercado secundário é impressionante”, reforçou o director de obrigações do banco alemão.
O IGCP comprometeu-se com uma taxa média de 3,17%, cerca de metade do que pagou no último leilão antes do pedido de resgate, em Janeiro de 2011. A ‘yield’ em mercado secundário seguia nos 3,212%.
Mas não há dúvidas entre os analistas que a suportar o bom ambiente no mercado de dívida está o Banco Central Europeu (BCE).
“Tendo em conta que as obrigações portuguesas negoceiam com maior volatilidade e com yields mais elevadas do que os pares periféricos, os investidores deverão ficar bem mais agressivos. As obrigações a dez anos são potencialmente um destino agradável para os investidores se posicionarem para o quantitative easing”, explica Schnautz, referindo-se a uma eventual compra de dívida soberana pela parte do BCE.
Fonte: Económico