O consenso dos analistas aponta para que até ao final do ano os mercados asiáticos dominem os ganhos. Para as praças bolsistas ocidentais, são esperadas performances positivas mas modestas.

O epicentro dos ganhos bolsistas promete estar centrado nos mercados asiáticos durante a segunda metade do ano. De acordo com uma sondagem realizada pela Reuters junto de mais de 250 analistas a nível mundial, as bolsas que apresentam os maiores potenciais de valorização situam-se em países como o Japão, a Índia, a China ou a Coreia do Sul. A média das estimativas dos especialistas ouvidos aponta para ganhos potenciais na ordem dos dois dígitos na maioria desses mercados até ao final do ano. Subidas do mesmo nível são esperadas para mercados emergentes como o Brasil e a Rússia, que poderão assim recuperar o fôlego após uma primeira metade do ano decepcionante. Para as bolsas dos países do ocidente as estimativas são mais conservadoras. Na Europa, os principais índices não deverão conseguir ir além de ganhos de 5%, enquanto que nos Estados Unidos os recentes máximos históricos justificam uma margem de progressão muito mais curta até ao final do ano.

O Japão sobressai como o mercado com as melhores perspectivas. Se as previsões dos analistas se comprovarem, o Nikkei 225 poderá registar em 2013 o melhor desempenho anual desde 1942. Desde o início do ano o índice nipónico já valorizou 25%, e a ‘poll’ da Reuters aponta para que até ao final do ano possa subir ainda mais 20,5%, alargando para 51% o ganho de 2013.

Os analistas inquiridos citam a desvalorização do iene, bem como as agressivas políticas orçamental e monetária expansionista levadas a cabo pelo executivo liderado por Shinzo Abe como os factores que mais contribuem para esse forte desempenho. “A primeira ronda do Abenomics

[…] tem sido bem sucedida, já que fixou o iene, que se encontrava muito forte e em resultado isto irá fazer subir os lucros das empresas”, justificou Masayuki Kubota, gestor de fundos da Daiwa SBI Investments.

Sem contar com o Japão, os mercados com melhores perspectivas para a segunda metade do ano incluem-se no conjunto de países que nos primeiros meses do ano protagonizaram os piores registos entre os 22 índices abrangidos pelo estudo da Reuters. A China é um dos principais exemplos. O aumento dos receios de que a Fed norte-americana possa retirar em breve o programa de estímulos económicos fez com que nas últimas semanas saísse muito dinheiro dos mercados accionistas da Ásia emergente e fez com que as avaliações de mercados como a China caíssem abaixo da média dos últimos cinco anos. As avaliações atractivas, conjugadas com as perspectivas favoráveis para a economia chinesa, sustentam o optimismo em relação à performance dos índices chineses ao longo do resto do ano.

Já no que respeita aos principais mercados accionistas ocidentais, as perspectivas para o segundo semestre são bastante conservadoras face ao que aconteceu na primeira metade do ano.

A expectativa dos analistas é de que a performance das principais bolsas dos dois lados do Atlântico acabem por reflectir a realidade económica incerta que se vive nas maiores economias do mundo que lutam para gerar crescimento, o que é verdade particularmente na Europa, que luta contra a recessão.

Os analistas acreditam que a futura evolução não só dos mercados accionistas europeus como a nível global irá depender em grande medida daqueles que forem os próximos passos da Reserva Federal norte-americana (Fed) no que respeita aos estímulos económicos. Após a reunião desta semana, a entidade liderada por Ben Bernanke garantiu que vai manter para já inalterado o ritmo de compra de activos. Contudo, tal como as próprias projecções da autoridade monetária indicam, a maioria dos bancos de investimento consultados pela Reuters também espera que a redução de injecção de liquidez ao sistema por parte da Fed comece a acontecer até ao final do ano. De salientar que esta liquidez tem sido um dos principais factores que tem ajudado a alimentar os ganhos nos mercados accionistas.

Japão

Após acumular ganhos acima de 25% desde o início do ano, o mercado bolsista japonês promete continuar a surpreender os investidores pela positiva, já que é o que apresenta o maior potencial de ganhos. A sondagem da Reuters junto de bancos de investimento de todo o mundo aponta para que até final do ano o índice Nikkei 225 valorize 20,5%, atingindo os 15.700 pontos. De salientar que estes dados são apenas estimativas.

20,5% Potencial calculado com base nas estimativas para o índice nipónico Nikkei 225.

Rússia

Os primeiros meses do ano não foram muito “famosos” para a bolsa russa, que recua nesse período em torno de 15%, penalizada pela descida dos preços do petróleo e pelas preocupações sobre a governação das empresas. Mas as previsões dos analistas indicam que daqui em diante soprem ventos mais favoráveis. A média das estimativas dos analistas coloca o índice de referência nos 1.565 pontos, o que equivale a um potencial de subida de 19,7% face ao valor actual.

19,7% Performance estimada pelos analistas para o índice de referência russa – RTS – até final do ano.

Brasil

Apesar de insuficiente para recuperar as perdas acumuladas em 2013, os analistas acreditam que a bolsa brasileira descole até ao final do ano. As previsões indicam que, face ao valor actual, o Bovespa valorize ainda 17%. Os últimos meses têm sido marcados pelo menor crescimento económico que ameaça a saúde das empresas, pela persistência da inflação e pelo aumento dos juros. Contudo, alguns analistas consideram que as acções brasileiras caíram de tal forma que se tornaram “pechinchas”.

17,1% Potencial de ganhos para o índice de referência da Bolsa de São Paulo: o Bovespa.

China

A primeira metade do ano foi marcada por alguns tropeções do mercado accionista chinês. Nos primeiros seis meses do ano, o índice de Hong-Kong caiu 7%, enquanto que em Xangai o mercado caiu 5,5%. Apesar disso, a convicção dos especialistas aponta para que a recuperação económica esteja no horizonte, o que poderá ajudar os investidores a retirar ganhos desse mercado. A média das estimativas indica um potencial de subida de 13,1% para o índice de referência de Hong Kong e de 11,3% para Xangai.

13,1% Potencial calculado para o índice de referência de Hong Kong: o Hang Seng.

Índia

Os analistas acreditam que a segunda metade do ano será de recuperação para o mercado accionista indiano. A média das previsões aponta para um potencial de valorização de 8,7%, com o índice de referência de Bombaim a terminar o ano a cotar nos 21.000 pontos. Os especialistas alertam que, apesar do Banco Central da Índia ter mantido as taxas inalteradas no início da semana, as recentes descidas de juros ajudam a potenciar o crescimento económico do país.

8,7% Estimativas de ganhos apontada pelos analistas para o índice de referência da bolsa de Bombaim: o BSE Sensex.

Reino Unido

À medida que o ambiente económico melhora a nível global, o cenário para a bolsa britânica também é alvo de boas perspectivas por parte dos analistas. A média das previsões dos analistas sondados pela Reuters aponta para que, no segundo semestre do ano, o índice de referência FTSE 100 tenha margem para valorizar ainda 5,8% até aos 6.700 pontos, alargando para em torno de 14% os ganhos totais acumulados no ano.

5,8% Potencial de subida para o índice de referência FTSE 100 até ao final deste ano.

Alemanha

Os analistas consultados acreditam que os estímulos económicos agressivos por parte dos bancos centrais e os recentes sinais de recuperação da economia germânica vão ajudar a alimentar os ganhos bolsistas na segunda metade do ano. A média das estimativas indica que o índice de referência da bolsa de Frankfurt tem margem para subir ainda 5,4% para fechar o ano nos 8.662 pontos. A comprovar-se, isto significaria uma subida de 14% para o DAX em termos anuais.

5,4% Performance estimada para o índice de referência da bolsa de FrankFourt: o DAX.

Itália

A incerteza política gerada pelas eleições legislativas pressionou fortemente o desempenho do mercado accionista italiano nos primeiros meses do ano. É perante este contexto que o índice de referência da bolsa de Milão apresenta um saldo praticamente nulo em 2013. Contudo, a segunda metade do ano poderá ser marcada por alguma recuperação. O ‘target’ médio dos analistas indica que o FTSEMIB pode valorizar 5,1%, para terminar 2013 nos 17.025 pontos.

5,1% Previsão de subida do índice de referência da bolsa de Milão: o FTSEMIB.

França

Contrariamente à Alemanha, as perspectivas económicas para a França não são muito optimistas, com os analistas a considerarem que os níveis de crescimento pré-crise não serão atingidos no curto prazo. É perante esse contexto que, entre os principais mercados accionistas europeus, o francês apresente o potencial de ganhos mais modesto. Até ao final do ano, as previsões apontam para que o índice de referência parisiense avance mais 4,2%.

4,2% Potencial calculado para o índice de referência da praça bolsista parisiense: o CAC 40.

EUA

Após os surpreendentes máximos históricos registados pelos principais índices bolsistas dos Estados Unidos alcançados na primeira metade do ano, o potencial de ganhos para o segundo semestre é bastante modesto. A média das previsões, aponta para que o índice S&P 500 feche o ano 3,7% acima do nível actual, enquanto para o Dow Jones o potencial de subidas é de apenas 2,8%. A evolução dos índices norte-americanos vai estar dependente de um eventual corte de estímulos económicos pela Fed.

3,7% Estimativa de subida para o índice que reúne as 500 maiores capitalizações norte-americanas: o S&P 500.

Fonte: Económico

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