O país do Carnaval continua a ter muitas oportunidades de trabalho para os portugueses.

A uma semana das presidenciais brasileiras, o Económico revela quais as áreas em que há uma maior procura de talento. “Os elevados salários nas indústrias tecnológicas”, o desencontro entre a oferta e a procura de qualificações são algumas das características apontadas no país pelo “The Hays Global Skills Index 2014”, que acaba de ser divulgado

1.Em que áreas há mais oportunidades?

Apesar das empresas terem adiado os processos de recrutamento, enquanto não se sabe quem será eleito Presidente do Brasil, as oportunidades continuam a ser muitas no sector de petróleo e gás, agricultura e infra-estruturas, diz Carla Rebelo, directora-geral da Hays Brasil. Só a Petrobrás acaba de anunciar 7.500 vagas, 700 das quais para ocupar já, que estão disponíveis em www.cesgranrio.org.br.

O país continua a ter um défice de quadros qualificados nas indústrias mais tecnológicas. Mesmo com o abrandar do crescimento económico (1%) e a chamada “estagflação”, a concorrência pelos talentos vai continuar. O país precisa de especialistas em gestão, liderança e coordenação de equipas. “Quanto mais forte for a especialização e componente técnica, melhor.

Em princípio, os profissionais mais bem qualificados têm melhores possibilidades”, sublinha Luís Miguel Teixeira, director financeiro para o sector financeiro da Johnson & Johnson. Os salários no comércio electrónico, por exemplo, estão a disparar devido à falta de especialistas.

“Os juniores estão a ganhar salários de analistas, os analistas, de gerentes, os gerentes de seniores; e os seniores de presidente” diz Alexandre Soncini, vice-presidente da Vtex em declarações à “Folha de São Paulo”. “Não é normal entrevistar pessoas de 25 anos que ganham acima de 12 mil reais (quatro mil euros). O passe destes profissionais valorizou-se muito”, acrescenta Alessandro Gil, presidente-executivo da Rakuten Marketing no Brasil .

2.Continua a ser difícil obter visto de trabalho?

Sim. Em média conte com 52 dias. Para cada processo é necessário entregar 19 documentos diferentes. Caso não tenha doutoramento ou mestrado terá que reunir declarações que comprovem todas as empresas em que trabalhou, revela Carla Rebelo no seu livro “O que saber para viver e trabalhar no Brasil”. O processo de reconhecimento dos diplomas de engenheiros e arquitectos continua a durar meses, apesar do acordo entre os dois governos que previa o reconhecimento automático.

3.O custo de vida é muito alto

“Sim. As grandes cidades, sobretudo São Paulo, apresentam um custo de vida surpreendentemente alto”, afirma Luís Miguel Teixeira. Luís Ochôa sublinha que o país “precisa rapidamente de encontrar um antídoto para a escalada de preços”. Uma casa pode facilmente ter uma renda de três mil euros e o colégio chega a custar 1.200 euros por cada filho. Nos restaurantes facilmente paga três vezes mais que em Portugal.

4.É fácil a um português adaptar-se à cultura brasileira?

Embora a língua seja a mesma há muitas diferenças. Se alguém lhe diz “Gosto muito do seu produto, me envia rápido uma proposta” não significa que a venda está próxima. Não está! Se ela vier a ocorrer vai demorar, muito!”, sublinha Luís Ochôa. O director executivo da Link Consulting no Brasil recomenda às missões empresariais no Brasil “que reduzam a 20% todas as expectativas com que terminam estas missões e que reduzam a 10% as decisões de investimento daí projectadas”. Depois há ainda o problema dos atrasos.

“Até nós portugueses que não somos propriamente exemplos da pontualidade britânica, não deixamos de notar as dificuldades em cumprir horários”, sublinha Luís Ochôa. Depois “a dinâmica do mercado de trabalho, a legislação e o sistema fiscal desafiam a nossa capacidade de entendimento”, ironiza.

5.O país continua a ser inseguro?

Embora tenham sido feito progressos na redução da criminalidade nas principais cidades, a insegurança continua. Na cidade de São Paulo, por exemplo, os roubos aumentaram 20% no último ano.

 

Fonte: Económico

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