Portugal e Espanha perdem pontos no índiceque mede a corrupção. A Grécia sobe 14 lugares. Brasil, Moçambique e Cabo Verde pioram.
“Portugal não é a Grécia”. Esta frase, dita por Miguel Relvas, Vítor Gaspar ou Paulo Portas, tem sido usada repetidamente para mostrar que há enormes diferenças entre os dois países. Mas este ano, a Grécia esteve melhor do que Portugal no combate à corrupção: passou de 36 para 40 pontos e do 94º para o 80º lugar da classificação. Portugal mantém o 33º lugar, mas perdeu um ponto face a 2012 (tem 62).
O Índice de Percepção da Corrupção, que é hoje divulgado pela Transparência Internacional, mede a corrupção que é sentida em 177 países através de vários questionários. Portugal recua face ao ano passado, o que para Luís de Sousa “indicia a tendência de queda” que o País “vem revelando neste índice na última década”. “Enquanto inúmeros países têm feito esforços com bons resultados no combate à corrupção, Portugal está preso entre a estagnação e o declínio”, lamenta o presidente da Transparência e Integridade (TIAC).
O ranking oscila entre 0 – muito corrupto e 100 – absolutamente transparente. Desde que atingiu, em 2006, os 66 pontos, Portugal iniciou um percurso descendente em que perdeu pontos todos os anos, até 2009, quando registou 58 pontos. Nos anos seguintes, e até 2012, foi sempre melhorando a pontuação neste índice, até atingir os 63 pontos, no ano passado. Porém, em 2013 Portugal voltou a perder pontos, interrompendo a tendência de subida.
Nos últimos dez anos, Portugal registou uma média de 62,4 pontos.
Grécia e Irlanda dão o exemplo
Analisando os países que estão sob assistência financeira, Irlanda e Grécia são os únicos que melhoram. Dublin passa de 69 para 72 pontos e trepa ao 21º lugar (no ano passado estava em 25º). A Grécia conquistou quatro pontos e voltou ao 80º lugar de 2011.
Espanha cai de forma abrupta no ranking, descendo dez lugares e fica, pela primeira vez desde 1999, atrás de Portugal. De acordo com a nota de imprensa divulgada pela TIAC, esta queda pode ser atribuída a diversos “escândalos que vieram a público este ano”, como o caso Bárcenas, que envolve financiamento ilegal ao PP. Tal como Portugal (33º), também o Chipre recua três pontos e é 31º.
Na lusofonia, a tendência de melhoria em 2012 é invertida. Brasil, Moçambique, Cabo Verde, Timor-Leste e Guiné-Bissau pioram. São Tomé e Príncipe mantém 42 pontos e só Angola é que sobe do 157º para o 153º lugar.
Fonte: Negócios