Enquanto o montante dos empréstimos de empresas tem vindo a diminuir, o crédito malparado aumenta em volume e em percentagem. Entre particulares, a cobrança duvidosa estabilizou em Agosto.
O crédito malparado de empresas voltou a aumentar em Agosto, mês em que o crédito vencido representou já perto de 12% dos empréstimos concedidos pela banca às sociedades não financeiras. Se, em Agosto do ano passado, os créditos às empresas considerados de cobrança duvidosa representavam 9,81% do total, um ano depois, este rácio ascende a 11,7%. É o valor mais alto desde 1997, altura em que o Banco de Portugal começou a registar estes dados.
De acordo com estatísticas publicadas nesta terça-feira pelo banco central, o malparado de empresas junto das instituições financeiras totalizava 12.019 milhões de euros, mais 210 milhões do que em Julho. Já o montante dos empréstimos concedidos pela banca a empresas, que tem vindo a recuar sucessivamente, ascendia a 102.437 milhões em Agosto, menos 1093 milhões de euros do que no mês anterior.
A evolução da cobrança duvidosa de crédito concedido a particulares tem sido menos drástica este ano, depois de sucessivos recordes ao longo de 2012. Entre Janeiro e Junho, este rácio estabilizou nos 3,9%. No mês seguinte subiu para 4%, mantendo-se no mesmo nível em Agosto. Em 130.009 milhões de euros de empréstimos a particulares, 5237 milhões eram considerados de cobrança duvidosa pela banca.
Nos particulares, as tendências mantêm-se: o malparado continua a ser bem mais elevado nos empréstimos ao consumo, o que indicia que, quando são confrontados com dificuldades financeiras, os particulares deixam primeiro de pagar este empréstimos, dando prioridade ao pagamento dos empréstimos para a habitação.
Dos 107.061 milhões de euros de empréstimos à habitação, 2374 milhões eram considerados de cobrança duvidosa. O rácio é de 2,22%. Embora a subida seja marginal face ao valor de Julho, o malparado volta a bater um novo valor histórico desde 1997, o ano a partir do qual o banco central tem registo destes dados.
No caso dos empréstimos ao consumo, a cobrança duvidosa situou-se em 12,2% (1511 milhões em 12.412 milhões de euros de empréstimos concedidos), ficando ao mesmo nível de Julho.
Fonte: Público