A SilicoLife é a primeira empresa portuguesa a entrar nesta listagem.

Desenhar leveduras que utilizam desperdícios da indústria do papel para produzir bioplásticos é apenas um dos projetos em curso na Silicolife, que acaba de conquistar um lugar no ranking das 40 PME mais promissoras do mundo na Bioeconomia.

A empresa tecnológica de biologia computacional dedicada ao desenho de fábricas celulares otimizadas é a primeira unidade portuguesa a entrar na lista das “40 Hottest Small Companies in the Advanced Bioeconomy 2014-2015”, que elege as empresas de pequenas dimensão que mais se têm destacado na biotecnologia industrial a nível mundial.

Na lista, da responsabilidade da BioFuels Digest, uma publicação norte-americana de referência mundial na biotecnologia, a SilicoLife ocupa a 39ª posição, o suficiente “para ganhar visibilidade junto de potenciais clientes alvo”, comenta Simão Soares, CEO desta empresa que nasceu em 2010, com ligações à Universidade do Minho e ao MIT Portugal.

100% exportadora

São 15 pessoas, entre a equipa de desenvolvimento e a área executiva, com uma taxa de crescimento de 100% ao ano, que deverá traduzir-se num volume de negócios de 500 mil euros no final do ano, garantido  na totalidade através da exportação para multinacionais da indústria química da Europa e Estados Unidos, como a Invista.

“Chegamos lá batendo à porta de cada um, mostrando o nosso trabalho, participando em alguns fóruns industriais. Hoje, o currículo que fomos construindo e distinções como a presença neste ranking facilitam o trabalho”, comenta Simão Soares, de 28 anos, um dos 9 sócios desta empresa criada e gerida apenas com capitais próprios.

Premiada como start-up do ano em 2011 com o prémio Atreve-te patrocinado pela Presidência da República, a SilicoLife apresenta-se como uma empresa que “desenvolve soluções in silico, através de métodos computacionais, de engenharia metabólica, criando modelos de microrganismos e algoritmos avançados para a maximização da produção de compostos de interesse industrial”.

Um bioGPS

Para explicar este trabalho, Simão Soares faz uma analogia com o GPS, pronto a indicar o melhor caminho a quem quer viajar entre dois locais. No caso da sua empresa, o foco está na otimização de microrganismos, “como se fossem uma fábrica”. “Fazemos modelos desses microrganismos, que são como mapas, e aplicamos um conjunto de algoritmos de inteligência artificial para definir a melhor estratégia a implementar no laboratório para o microrganismo produzir o composto de forma otimizada”, explica.

O campo de ação está na biotecnologia industrial, na passagem de processos petroquímicos para processos biológicos, com vantagens ambientais e económicas, designadamente através de desperdícios de outras indústrias. O resultado traduz-se no desenvolvimento de bioprocessos para produzir coisas como bioplásticos, biocombustíveis, aditivos para a indústria alimentar.”Na prática, é algo semelhante ao que se passa no processo de produção de cerveja, em que a levedura come o açúcar e produz álcool”, diz Simão Soares.

Fonte: Expresso

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