O Governo italiano poderá enfrentar um impacto de oito mil milhões de euros com custos associados a contratos de derivados financeiros que o país terá reestruturado após a crise financeira de 2008, segundo o “Financial Times”.

O Governo liderado por Enrico Letta terá de enfrentar as consequências de contratos derivados cujo custo pode ascender a alguns milhares de milhões de euros para Itália, segundo noticia o “Financial Times” (FT) esta quarta-feira.

O jornal britânico cita um relatório do Tesouro de Itália que detalha transacções de dívida e parte da exposição do país a este tipo contratos, durante o primeiro semestre de 2012. No documento está descrita a reestruturação de oito contratos derivados cujo valor nominal é de 31,7 mil milhões de euros, segundo a publicação. Contudo, o custo potencial associado aos contratos negociados nos seis meses deverá rondar os oito mil milhões de euros.

O “Financial Times” explica que os relatório de 29 páginas a que teve acesso exclui detalhes importantes sobre a exposição do país a estes contratos mas cita especialistas para avançar que alguns dos contratos foram reestruturados para reduzir o peso dos pagamentos feitos pelo país para liquidar a dívida. Contudo, alguns destes, determinam termos mais desfavoráveis para Itália.

A entrada de Itália nestes derivados financeiros data dos anos 90, em que o país terá procurado maquilhar as suas contas públicas para cumprir os critérios de convergência para a entrada no euro. O país receberia pagamentos por conta da entrada nos contratos que ia liquidando ao longo dos anos como se de um empréstimo se tratasse.

O “FT” lembra que o Governo italiano reduziu o défice de 7,7% do produto interno bruto (PIB) em 1995 para 2,7% em 1998, tendo desempenhado a maior redução entre os 11 países que integraram a moeda única no seu ano de estreia. Apesar da redução verificada neste período de três anos, o FT recorda que as receitas fiscais do país cresceram “marginalmente”, enquanto a despesa diminuiu de forma “ligeira”.

O relatório citado pelo jornal foi enviado do Ministério das Finanças em Roma para o auditor das contas públicas de Itália, Corte dei Conti. O tribunal de contas italiano terá pedido à polícia que interviesse, tendo requerido à autoridade fiscal que se deslocasse à agência de gestão da Tesouraria e do crédito para recolher mais informação sobre os contratos.

Apesar da divulgação do relatório que dá conta da exposição de Itália aos derivados financeiros, os juros implícitos na dívida de Itália estão em queda na sessão desta quarta-feira. O “yield” das obrigações a 10 anos recua 7,2 pontos base para 4,783%, segundo os dados da Bloomberg para o mercado secundário.

Fonte: Negócios

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