Implementar o novo regime de bens em circulação “foi um inferno” para os operadores de distribuição, reconhece a directora-geral da APED.
O investimento em equipamento para transformar o sistema de facturação, em novo ‘software’ e em formação de pessoal para a adopção do novo regime de bens em circulação – com a desmaterialização de facturas e novas regras para as guias de transporte – foi, até agora, de 10 milhões de euros para o sector da distribuição em Portugal.
A contabilidade foi feita esta terça-feira, 3 de Setembro, por Ana Isabel Trigo Morais, directora-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), em encontro com os jornalistas.
À margem da apresentação do barómetro da APED, a responsável recordou que a associação está a dialogar e trabalhar com o Ministério das Finanças “há um ano” e que ainda assim as coisas estão longe de ser resolvidas. Nomeadamente, no que toca ao novo regime de guias de transporte, sublinhou, onde a adopção à nova lei está a “ser mais difícil e as coisas correm pior”.
É que só associados da APED – organismo que reúne os maiores grupos de distribuição alimentar e não alimentar a operar no País – são responsáveis pela circulação de 4.000 camiões nas ruas todos os dias. E a “realidade é muito mais complexa” que as previsões iniciais do Fisco – em que nem sempre os serviços do Estado respondem à velocidade exigida pelos agentes económicos, defendeu ainda.
Desde a “integração do sistema
O regime de bens em circulação entrou em vigor a 1 de Julho, tendo um período transitório até 15 de Outubro. Até essa data, na prática, explicou esta terça-feira Ana Isabel Trigo Morais, fica “adiada a aplicação de coimas” para quem incumprir com o novo regime já em aplicação – uma “medida original” para dizer que “o regime se mantinha em teste”, qualificou a directora-geral da APED.
Ainda assim, quando questionada sobre se um novo adiamento seria desejável para a adopção plena da lei (sem regime de excepção sobre as coimas), a mesma responsável afirmou: “a nossa expectativa é que se consiga introduzir as alterações no sistema, que o torne o sistema menos burocrático” até essa data. “Estamos a fazer um esforço para ter tudo solucionado até essa data”, resumiu.
Fonte: Negócios