Prémio de risco cobrado a Portugal face à Irlanda ainda não se recompôs das subidas registadas no período da crise política.
Desde o início do resgate financeiro que Portugal se tentou afastar da Grécia, que cedo emitiu sinais de dificuldades no ajustamento, para se tentar colar à Irlanda, que parece ter condições para regressar aos mercados em breve.
Uma das formas para avaliar o sucesso desta táctica é medir o diferencial entre as taxas de juro implícitas da dívida portuguesa e irlandesa a 10 anos, o prazo de referência, no mercado secundário. Essa diferença está hoje nos 296 pontos base, um valor acima da leitura de 233 pontos verificada na sessão anterior à demissão de Vítor Gaspar, evento que desencadeou uma crise política de três semanas. Nesse período este indicador de risco chegou a atingir os 341 pontos.
A ‘yield’ associada às obrigações do Tesouro português a 10 anos regista hoje uma diminuição ligeira para 6,367%, longe dos 3,819% ‘cobrados’ à Irlanda na mesma maturidade. Ambos os países já realizaram emissões de dívida de médio e longo prazo em mercado primário, um passo essencial para readquirirem independência financeira.
Fonte: Económico