Aumento registado entre Janeiro e Maio já anulou quase metade da redução registada no último ano. Verbas do Rectificativo ainda por pagar

As dívidas dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ascendiam a 1219,1 milhões de euros no final de Maio, de acordo com os dados ontem divulgados pela Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma).

Se é verdade que este valor representa uma diminuição de 302 milhões (19,8%) em relação a Maio de 2012, também é verdade que os montantes em dívida têm estado a subir consecutivamente desde o início do ano. Os dados da Apifarma indicam que as dívidas registaram um aumento de 128,3 milhões (11,7%) só entre Janeiro e Maio. Ou seja, o agravamento registado nos primeiros cinco meses deste ano já anulou quase metade da redução verificada no último ano.

Tendo em conta que os dois Orçamentos Rectificativos do ano passado injectaram nos hospitais um total de 1932 milhões de euros só para pagamento de dívidas em atraso, o i questionou o ministério sobre as razões deste novo agravamento e se a Saúde prevê tomar alguma medida para evitar que as dívidas voltem a disparar. O gabinete de Paulo Macedo respondeu apenas que os hospitais ainda só receberam os 1500 milhões do primeiro Rectificativo e “se tivesse utilizado os 432 milhões de euros [do segundo OR] a dívida teria descido”. O i tentou obter um comentário dos responsáveis da Apifarma mas sem sucesso até à hora de fecho desta edição.

PAGAMENTOS ACIMA DOS 500 DIAS

Os gráficos da Apifarma demonstram que Junho de 2012 foi o mês em que o valor das dívidas atingiu o seu pico: 1588,7 milhões. A partir daí registaram-se descidas consecutivas, sendo a mais acentuada em Agosto, quando os hospitais receberam a maior fatia dos 1500 milhões do primeiro OR.

O prazo médio de pagamento dos hospitais era de 507 dias em Maio, o que representa uma descida de 34 dias em relação ao mês homólogo de 2012 e de 50 face a Junho, o mês em que o prazo médio atingiu o valor mais alto de sempre: 557 dias. Mas se analisarmos os números a partir de Janeiro conclui-se que o prazo médio já subiu 12 dias.

O Centro Hospitalar do Nor- deste, com um prazo médio de 1030 dias, é a unidade com mais facturas em atraso (em Maio de 2012 o prazo era de 1020), seguido pelo Centro Hospitalar Médio Tejo com 992 (984) e pelo Centro Hospitalar de Setúbal, com 863 (851).

O Centro Hospitalar de Lisboa Norte é a unidade com o montante em dívida mais elevado em Maio: 207,5 milhões. Num ano as dívidas do maior hospital do país não só não desceram como até subiram 7,7 milhões.

A seguir surge o Centro Hospitalar Lisboa Central, com 107 milhões, mas neste caso até se registou uma descida de 800 mil euros. Em terceiro lugar aparece o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental com 57 milhões.

Fonte: Jornal i

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