OCDE, FMI e Comissão Europeia, todos falam em recuperação para Portugal. Os números confirmam?

A economia portuguesa está a mostrar os primeiros sintomas. São várias as previsões, de organizações nacionais e internacionais, e os indicadores que apontam nesse sentido.

Os dados publicados a semana passada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) revelam que o indicador de comportamento económico para Portugal está a registar resultados positivos desde Fevereiro deste ano, com valores acima dos 100 pontos – sendo considerado crescimento ou contracção quando está acima ou abaixo dos 100, respectivamente.

As boas notícias não vêm só da OCDE. No último mês, Portugal tem visto a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciar o fim antecipado de uma crise que nos últimos anos dominou o discurso dos políticos e dos economistas, cá e lá fora.

Os últimos números do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos ao desemprego em Portugal apontam para uma diminuição de 1,3 pontos percentuais face ao primeiro trimestre do ano, o que se traduz numa queda de 96 mil no número de desempregados em Portugal, embora esta cifra esteja ainda bastante acima em relação ao mesmo período do ano passado.

No que toca ao produto interno bruto (PIB), as previsões do Montepio, do Crédit Suisse e da Universidade Católica Portuguesa coincidem em antecipar o regresso da economia portuguesa ao crescimento para o segundo trimestre do ano. As previsões oscilam entre os 0,3% e os 0,6% no segundo trimestre deste ano. Pode parecer pouco, mas são boas notícias quando os últimos três trimestres apresentaram uma contracção de 2,2% a 4%.

No entanto, o crescimento económico, embora importante, ainda não significa necessariamente a retoma, tanto mais que ainda não se conhecem os efeitos da reforma do Estado e dos cortes na despesa pública na economia. Por outro lado, os números do desemprego podem estar mascarados por empregos sazonais e pela procura turística de Verão. Para perceber a economia real é importante olhar também para indicadores mais próximos dos consumidores.

VENDA DE AUTOMÓVEIS Um dos indicadores mais fortes de recuperação vem das vendas de automóveis. No final do ano passado afundaram 41%, para o pior resultado em décadas. Nos primeiros sete meses de 2013 estão a crescer 4,2% e em Julho aceleraram 17,8% face ao mesmo mês do ano passado.

Na energia, um dos primeiros mercados em que se sente a saúde da economia, o consumo de electricidade já dá sinais de recuperação, embora ainda moderada. Em Julho a procura cresceu 0,1%. No ano passado tinha caído 3,6%. O consumo de combustíveis continua a cair, mas menos. As contas semestrais das principais empresas de energia – EDP, Redes Energéticas Nacionais (REN) e Galp – sublinham todas que o segundo trimestre foi melhor que o primeiro.

No sector da construção, um dos mais massacrados pela crise económica, a queda da produção abrandou em Julho, revelou ontem o INE.

As estatísticas confirmam igualmente uma evolução positiva na confiança dos consumidores, cujo índice está a melhorar desde Maio, apesar do susto da crise política de Julho. Consumidores mais confiantes consomem mais e o índice do comércio a retalho está finalmente em recuperação.

Do lado das empresas, o barómetro da D&B mostra um aumento de 17,8% na constituição de novas empresas no primeiro trimestre. Neste período houve mais mais empresas a abrir que a fechar, o que não acontecia desde 2009.

E AS EXPORTAÇÕES? A retoma da economia não depende só da dinâmica do mercado interno e as exportações em Junho estavam a abrandar, apesar das perspectivas positivas para alguns dos mercados mais importantes para as empresas portuguesas.

Numa relatório publicado na semana passada, o FMI considerou que “as perspectivas piores para a Alemanha vão, por seu turno, pesar nas perspectivas de crescimento da região e do mundo”. Ou seja, se a economia alemã espirra a portuguesa corre o risco de se constipar. Mas a saúde económica da Alemanha também não é indiferente à performance do resto da Europa e o país está muito exposto a um abrandamento da procura mundial.

O outro grande parceiro comercial de Portugal, a Espanha, parece estar na rota de regresso ao crescimento. Pelo menos do outro lado da fronteira, o próximo ano já deverá ser de retoma.

 

Fonte: Jornal i

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