Recebeu uma proposta para trabalhar em Angola, mas não tem visto. Vai viver no Reino Unido, mas não pode levar o seu animal de estimação no avião. Procura escola para os seus filhos em Portugal, mas vive no Brasil. A lista dos dramas vividos por quem emigrou é extensa e nem sempre fácil de resolver. Foi a pensar nas necessidades das pessoas que estão fora, “mas que deixaram em Portugal o seu património”, que Inês Salvo e Gilda Pereira criaram a Assessoria ao E(i)migrante.

As duas juristas, ambas de 33 anos, abriram esta quinta-feira as portas da loja da Ei!, nome pelo qual ficará conhecido o projeto, e o objetivo é que os serviços que prestam sejam tantos quantas as necessidades dos portugueses que vivem lá fora e dos imigrantes que vivem em Portugal.

Da elaboração do IRS e representação fiscal à gestão de imóveis, passando pela marcação de consultas médicas, transporte de animais, inscrições em escolas e jardins de infância ou agendamento de eventos culturais e lúdicos, Inês Salvo e Gilda Pereira, juntamente com uma equipa de colaboradores para cada área, tratam de tudo. Tudo mesmo, até comprar bilhetes para os jogos do Benfica.

“A ideia surgiu das minhas necessidades enquanto emigrante em Angola. Delegava à Inês todos os assuntos que tinha para tratar e, entretanto, os meus amigos que lá estavam começaram também a recorrer a ela”, conta Gilda Pereira. Por esse altura, as fundadoras da Ei!, colegas de faculdade, aperceberam-se de que a assessoria no país de origem seria uma necessidade comum a todos os emigrantes.

Lançaram o serviço através das redes sociais há três meses e, desde então, passaram a receber pedidos de ajuda diariamente, contando já com cerca de 30 clientes. A abertura da loja, na zona do Saldanha, em Lisboa, foi a decisão lógica. Investiram 50 mil euros, montante que esperam recuperar até ao final deste ano, e alargaram os serviços também aos viajantes que passam por Portugal temporariamente e precisam, por exemplo, de uma casa para apenas um mês.

Para os clientes, o custo depende de cada serviço. Pela gestão de arrendamento de uma casa, por exemplo, a Ei! cobra 10% do montante ganho pelo cliente com o arrendamento da sua casa. Já a gestão do correio, um serviço anual, custa 40 euros por mês.

Neste momento, a empresa presta assessoria personalizada apenas em Portugal. Ou seja, ajuda quem está fora e precisa de representação em Portugal. Para quem ainda cá está e quer sair, a assessoria passa por facilitar o processo, fornecendo informação relativamente à obtenção de vistos ou aos requisitos para se viver em cada país, por exemplo.

Mas os planos passam por uma expansão gradual. Primeiro, as fundadoras esperam abrir uma loja no Porto, já que grande parte das solicitações vêm de clientes do norte do país. Há já também propostas para expandir os serviços para o Funchal e para o Algarve. Numa fase posterior, virá a expansão internacional. Angola, onde Gilda Pereira ainda vive, será o primeiro país onde poderão prestar assessoria personalizada.

 

Fonte: Dinheiro Vivo

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