Negócio implica a entrada de 70 milhões de euros em dinheiro, através de um aumento de capital. Manuel Fino perde controlo.
O empresário António Mosquito vai passar a figurar na lista dos grandes investidores angolanos em Portugal. Segundo foi nesta terça-feira comunicado pelo Grupo Soares da Costa, António Mosquito vai ser responsável por um aumento de capital da Soares da Costa Construções, no valor de 70 milhões de euros, que lhe dará direito a 66,7% do capital da empresa. Já o Grupo Soares da Costa (controlado a 71% por Manuel Fino) irá diluir a sua posição na subsidiária para 33,3%.
De acordo com as informações transmitidas ao regulador do mercado de capitais, a operação tem como objectivo manter a estabilidade financeira da empresa, criar sinergias, e “robustecer a presença da Soares da Costa Construção e suas participadas no sector da construção, atingindo uma posição de liderança nos mercados em que desenvolva a sua actividade”.
O negócio, que terá ainda ser aprovado em assembleia geral de accionistas, a convocar na próxima semana, faz parte do plano de reprogramação do endividamento bancário do grupo (que tem na construção a maior fonte de receitas), avaliado em 228 milhões. Nesse âmbito, o grupo, segundo foi ontem explicado, mandatou o BCP, cujo principal accionista é a Sonangol e está presente no mercado angolano, para encontrar potenciais investidores, chegando então ao nome de António Mosquito.
Angola já é, aliás, o principal mercado da Soares da Costa. Em 2012, segundo as contas do grupo, este país africano teve um peso 44,1% no volume de negócios total, atingindo os 353,5 milhões de euros (mais 8% do que no ano anterior). Quanto a Portugal, o segundo maior mercado, valeu 236,5 milhões (o que representa uma queda de 28%).
Uma das grandes obras em Angola é a construção das infra-estruturas básicas do Pólo Industrial de Fútila, em Cabinda. Adjudicadas a um consórcio liderado pela Soares da Costa, as obras são financiadas por entidades como a Sonangol e o Banco Mundial. No ano passado, no entanto, o grupo não conseguiu fugir aos prejuízos, tendo um resultado negativo de 47 milhões de euros.
Segundo as informações divulgadas nesta terça-feira, o acordo a efectuar com António Mosquito, válido por seis anos, implica que a Soares da Costa Construções mantenha o controlo da sucursal de Angola. Ao mesmo tempo, não inclui a actividade nos EUA e em Israel, e pressupõe que as principais deliberações futuras terão de ter a concordância do Grupo Soares da Costa, mesmo mantendo Mosquito a maioria do capital da construtora. Ou seja, questões como a aplicação de dividendos, projectos de fusão, mudanças de sede ou aumentos de capital terão de ter o acordo dos dois accionistas.
O negócio da Soares da Costa surge depois de António Mosquito ter sido dado como interessado, através de uma empresa de capital de risco, na compra da maioria do capital do grupo Controlinveste, dono de órgãos de comunicação social como o Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF. Certo é que o sector da construção não lhe é estranho, nem a ligação a empresas portuguesas.
Detém a CCL – Construção Civil, associou-se associado à Teixeira Duarte e aos brasileiros da Odebrecht, é dono de 12% do Banco Caixa Geral Totta de Angola, onde o banco do Estado português, em união com o Santander, detém 51% (a Sonangol conta com 25%) e é sócio da Novabase neste país.
Além de outras participações em mais três bancos, é importador das marcas Audi e VW, e investiu no petróleo. Recentemente, criou um fundo de capital de risco, a António Mosquito Capital Partners. Visto como independente do MPLA e da UNITA, foi um dos empresários que despontaram após 1992, com o apoio do regime de José Eduardo dos Santos.
Fonte: Público