Os empresários portugueses acreditam que o Governo deve criar condições para a captação de investimento estrangeiro como forma de combater a elevada taxa de desemprego. Mas não só. Pedem, também, uma diminuição da carga fiscal, quer ao nível do IRC quer ao nível do IVA. Estas são as conclusões da quarta edição do Barómetro Kaizen, que hoje serão divulgadas e a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso. De entre os 105 gestores que integram o barómetro estão nomes ligados a empresas como a Amorim, Galp Energia, Sonae, Efacec, CGD e AutoEuropa, entre outras.

O barómetro, uma iniciativa do Kaizen Institute , mostra, ainda, que, pela segunda vez no ano, o índice de confiança dos empresários portugueses na economia nacional se situa em terreno positivo, estando agora nos 11 valores. António Costa, diretor do Kaizen Institute, reconhece que “esta nota, que para um professor não seria propriamente boa, vale pela tendência positiva que demonstra”. No barómetro de janeiro e de abril o grau de confiança estava nos 9 valores. Subiu para 10 em junho e para 11 em outubro. “Julgo que esta tendência pode ser explicada pelas 8ª e 9ª avaliações positivas da troika e pelos pequenos sinais positivos que temos registado ao nível da economia, designadamente em termos de taxa de desemprego, e do saldo positivo entre exportações e importações, que este ano é cinco vezes maior do que o ano passado”, diz este responsável.

Sobre as medidas que as empresas estão a tomar para fazer face à conjuntura, António Costa assume que “não há surpresas” quando 80% dos inquiridos dizem estar a melhorar processos e a eliminar desperdícios, na medida em que essas são as linhas mestras do trabalho da filosofia Kaizen. “Significa que estão a conseguir envolver e motivar as pessoas no seu posto de trabalho, colocando as empresas num patamar mais competitivo”, frisa.

Sendo certo que a aposta na exportação é uma das medidas que parece merecer menor destaque, a verdade é que, em terceiro lugar, os empresários referem a aposta em novos mercados, o que poderá significar uma certa dispersão relativa a um só tema.

Dos 105 membros do universo do barómetro, foram obtidas 65 respostas que correspondem a mais de 90% das empresas inquiridas, atendendo a que cada grupo tem mais de uma empresa inscrita, garante António Costa.
Outras conclusões:

‘Troika’

Reforço da credibilidade junto dos credores e maior facilidade de financiamento junto dos mercados internacionais são as duas consequências principais para a economia nacional apontadas à avaliação positiva da troika ao programa de ajustamento.

Incentivos

Para combater o desemprego, os inquiridos pedem ao Governo que aposte na abertura de canais para as empresas nacionais nos mercados externos e reclamam incentivos estatais para as entidades que estejam dispostas a contratar novos colaboradores.

Liquidez

Pagar as dívidas do Estado às empresas, aumento a liquidez é outra das medidas reclamadas para combater o desemprego, a par de incentivos às empresas que exportem com grande valor acrescentado. Há ainda quem peça estabilidade e confiança na lei laboral.

 

Fonte: Dinheiro Vivo

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