Empresas poderão reduzir a presença em feiras, o que pode ameaçar as exportações.
Mais de metades das empresas de calçado que têm o seu negócio internacionalizado estão em vias de perder os apoios comunitários à promoção. O grupo Kyaia – o maior do sector – e a But Fashion Solutions (que detém a marca Cubanas) já esgotaram as verbas e este ano não terão acesso aos dinheiros comunitários de apoio à promoção. Fonte oficial da associação do sector (APICCAPS) salienta que a “situação é dramática” e que cerca de 60 empresas de calçado vão esgotar essas verbas “num curto espaço de tempo”. Com as exportações a serem o grande motor de crescimento da economia este é um problema crucial, frisa. Muitas das grandes empresas têxteis estarão a viver situação semelhante.
No âmbito do QREN, as empresas têm acesso a apoios de 200 mil euros, montante que pode ser utilizado durante dois anos. Quando termina esse capital têm de assumir na totalidade os custos com a promoção por 12 meses até poderem voltar a aceder a essa linha comunitária. Os apoios visam a promoção, nomeadamente presença em feiras, mas também seguros de crédito e financiamentos com crédito bonificado. É a chamada regra ‘de minimis’.
Na Kyaia, “os mínimos já estão ultrapassados e se o Governo quer efectivamente fazer crescer o país tem de ajudar as empresas”, disse ao Diário Económico Fortunato Frederico, presidente do grupo, à margem da ColômbiaModa, que decorre até amanhã em Medellín. “O dinheiro é essencial para a participação em feiras, que é aquilo que mais consome recursos humanos e dinheiro”, sublinha. Só nos Estados Unidos, o grupo vai marcar este ano presença em 22 feiras. “Essas ajudas são essenciais para aumentar as exportações”, realça. O grupo gasta mais de um milhão de euros por ano em promoção internacional.
António Marques, sócio e administrador da Cubanas, revelou também que a empresa “já esgotou os mínimos em 2013” e este ano a promoção terá de ser feita só com capitais próprios. “São investimentos muito fortes”, salienta, que “não vamos deixar de fazer, mas já não iremos participar em algumas novas feiras que gostaríamos”, sublinha. A Cubanas gasta 400 mil euros por ano em promoção internacional e participa em 16 feiras. António Marques realça ainda que a presença em feiras é essencial para o sector, que tem vindo a ganhar margem aos seus principais concorrentes (Itália e Espanha), mas que isso “obriga a marcar presença constante” nestes certames.
Paulo Vaz, director geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), admite que “deve haver muitas empresas têxteis que esgotaram” as verbas. “É uma situação que nos preocupa, embora saibamos que é difícil de resolver” já que uma alteração nas verbas depende das autoridades comunitárias. E recorda que no período crítico da crise (2008/09) houve um incremento da verba para 500 mil euros (com aplicação em três anos) para que as empresas pudessem contrariar os efeitos da crise. Passado esse período, “regressou-se novamente aos 200 mil euros”.
Tanto a APICCAPS como a ATP têm sensibilizado o Ministério da Economia e feito pressão junto das entidades europeias para uma alteração nas verbas. Contudo, como afirmou Paulo Vaz, Bruxelas “continua a dizer que não há nenhuma razão para que esses ‘minimis’ sejam alterados”. Portugal, Espanha e Grécia “já apresentaram bons argumentos para que seja aberta uma excepção, mas não houve consenso a nível europeu”, referiu.
Fonte: Económico