Sogrape, Aveleda, Esporão, Quinta do Crasto e Azamor estão confiantes no aumento das vendas e das exportações.

O vinho português está a conquistar o palato do mundo. As exportações estagnaram nos primeiros seis meses do ano nos 314,4 milhões de euros, mas os produtores conseguiram vender mais caro. O preço médio por litro está em crescimento, indicador que garante o reconhecimento da qualidade. Os produtores portugueses colocaram o vinho a 2,4 euros por litro, um aumento de 14% face ao primeiro semestre de 2013, segundo os dados previsionais do INE. O volume exportado reduziu-se em 13% para 131 milhões de litros, o que impediu o crescimento nas vendas.

Esta tendência já se tinha verificado no exercício do ano passado, quando o sector viu o seu produto ser valorizado em 13,3% no exterior, atingindo um preço médio de 2,37 euros. No ano passado, o sector exportou 724,7 milhões, um incremento de 2,4%. E o volume diminuiu 9,6% para três milhões de hectolitros. Sogrape, Quinta do Crasto, Esporão, Aveleda e Azamor são produtores que se mostram confiantes que este será mais um ano de crescimento nas exportações. Até porque o segundo semestre é o período de excelência nas vendas.

O Esporão, empresa que detém propriedades vinícolas no Alentejo e no Douro, prevê fechar o ano com um volume de vendas de 41,5 milhões, o que representa um crescimento de 5% face a 2013, diz Filipe Caetano, director de marketing. “Prevemos a continuação do crescimento das vendas em Portugal, juntamente com uma recuperação na exportação, que terminará acima dos valores de 2013”, avança ainda. O Esporão exporta para 50 países cerca de 7 milhões de garrafas, que valeram no ano passado 65% do volume de vendas.

A Sogrape, a maior empresa do sector vinícola português, admite que a sua estratégia “privilegia o crescimento em valor em detrimento do volume”. No ano passado, a empresa registou uma queda de 0,4% nas vendas para 203 milhões, mas um crescimento nos lucros de 45% para 15,2 milhões. Apesar de se escusar em avançar com projecções para o actual exercício, a Sogrape admite existirem indícios que permitem “encarar o ano de 2014 com algum optimismo e confiança”, nomeadamente nos mercados europeu e norte-americano, diz no relatório e contas de 2013. A Sogrape garante 79% das vendas no exterior.

A Quinta do Crasto, do Douro, regista um crescimento exponencial do negócio. A empresa fechou “o primeiro trimestre com um crescimento homólogo de 30%”, adianta Tomás Roquette, administrador da empresa, que se segue ao aumento de 20% em 2013 para 5,8 milhões em 2013. Estes resultados “estão apoiados tanto num crescimento no mercado nacional como no reforço dos mercados externos”, salienta. No exterior, que representa 65% da facturação, a Quinta do Crasto tem reforçado as vendas nos “mercados prioritários – Brasil, Reino Unido e EUA – como também à ascendência a novos mercados, como é o caso de Angola e Moçambique, onde registamos em 2013, um crescimento de 93% e 26% respectivamente”, adianta ainda. Este ano, a projecção de vendas aponta para 6,3 milhões.

A Aveleda, especialista na produção de vinhos verdes, apresenta actualmente “um crescimento de vendas de 7% face ao ano anterior”, valor acima das expectativas, afirma Martim Guedes, administrador da empresa. Segundo o responsável, o mercado nacional está a “surpreender pela positiva, com um crescimento de cerca de 10%”, verificando-se “já alguma retoma depois das dificuldades sentidas nos últimos cinco anos”. As exportações estão a aumentar “em linha com o esperado, 5%”, “sendo que Alemanha, Brasil, Angola, Moçambique e Dinamarca são os principais focos de crescimento em 2014”. A Aveleda estima para este ano um crescimento de 7% nas vendas face aos 28 milhões registados em 2013.

A adega boutique Azamor, que explora a herdade alentejana do Rego, está a registar um crescimento nas exportações de 20%, avança a proprietária, Alison Gomes. Já o mercado nacional apresenta um comportamento idêntico ao de 2013. Alison Gomes acredita que irá fechar o ano com um aumento de 20% na facturação, até porque os mercados externos estão a reforçar as compras e “mais de 50% das vendas acontecem nos últimos quatro meses do ano”.

 

Fonte: Económico

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