Pela primeira vez em Portugal, duas organizações não governamentais (ONG) e várias empresas privadas juntaram-se para oferecer estágios a jovens em risco de exclusão, a partir de Setembro.
O projecto chama-se Crescer Fazendo e prevê que jovens entre os 16 e os 24 anos comecem a trabalhar em empresas da área de Lisboa que aderiram à iniciativa, como a Alcampo, Canon, Cortefiel, Inditex, Leroy Merlin ou Pestana.
O objectivo, explicou ao SOL Ana Nóbrega, responsável da União Meridianos, uma das duas OGN do projecto, é «dar-lhes a oportunidade de uma integração plena, qualificando-os e preparando-os para competir em igualdade de circunstâncias com os restantes».
Os adolescentes estão numa situação de social de risco e parte deles vem de centros educativos. Durante os estágios, serão acompanhados por um tutor da União Meridianos ou da outra ONG, a Associação Portuguesa para os Direitos dos Menores e da Família (Crescer Ser). Questões como a pontualidade e a assiduidade dos formandos, por exemplo, são pontos de actuação dos orientadores.
Estágios de três meses
Anabela (nome fictício), de 23 anos, é uma das jovens em risco seleccionadas para participar no Crescer Fazendo. «Estava à procura de uma oportunidade e a directora da escola onde trabalhava enviou o meu currículo para a Crescer Ser», conta a jovem que, após concluir o ensino secundário, se manteve num estabelecimento de ensino nos arredores de Lisboa, «ajudando nas entradas». «Quando eles me chamaram fiquei muito contente», diz, contando como foi a sua primeira entrevista: «Gostaram de mim, perceberam que sou certa e tinha boas referências»
Antes, Anabela tinha recebido uma pequena formação sobre como fazer um currículo, manter a postura e escolher áreas de preferência, entre outros detalhes que podem ser determinantes para a entrada na vida profissional. E Anabela aprendeu: foi escolhida entre as candidatas e, em breve, começará o seu estágio como ajudante de copa num hotel do grupo Pestana, perto de Lisboa.
Liana (também nome fictício) é outra participante do programa. Já teve a sua primeira entrevista, mas ainda procura colocação. «Não conseguia conciliar os horários», diz a jovem, que trabalha numa casa de acolhimento de crianças.
Aos 22 anos, Liana acabou de concluir o ensino secundário em informática e gestão. E é nessa área que espera encontrar um estágio. Os seus sonhos de aprender não ficarão por aqui, conta: «Quero ir para a universidade e estudar secretariado».
Os estágios da Crescer Fazendo duram em média três meses – o tempo considerado necessário para os potenciais empregadores perceberem se o profissional se enquadra nas suas expectativas.
A expectativa é que os 40 jovens seleccionados estejam colocados até final do ano.
Fonte: Sol