Está a sair mais investimento estrangeiro de Portugal do que a entrar. Valor do investimento directo estrangeiro em Portugal no segundo trimestre foi de -1,4 mil milhões de dólares.

Dados revelados esta segunda-feira, 4 de Novembro, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) indicam que o valor do investimento directo estrangeiro (IDE) em Portugal, no segundo trimestre, foi negativo.

A diferença entre o valor do investimento estrangeiro e a quantia que estes retiraram foi negativa em 1,4 mil milhões de dólares, tendo sido a primeira vez, pelo menos desde o segundo trimestre do ano passado, que se verificou um desinvestimento.

Nos primeiros três meses do ano o IDE foi de 600 milhões de dólares e no último trimestre do ano passado atingiu mil milhões de euros.

O relatório da OCDE, divulgado esta segunda-feira mostra que na totalidade de 2012 o IDE foi de 8,9 mil milhões de dólares (equivalente a 4,2% do PIB), uma queda de 20,5% face ao registado em 2011.

A OCDE assinala que o número de países onde os investidores retiraram mais investimento do que colocaram atingiu um recorde. Entre os 34 países da OCDE, em 11 o IDE foi negativo.

Quanto ao IDE de Portugal no exterior, atingiu um valor positivo de 100 milhões de dólares no segundo trimestre, abaixo dos 800 milhões de dólares nos primeiros três meses do ano. Em 2012 atingiu 1,9 mil milhões de dólares (0,9% do PIB), bem abaixo dos 14,9 mil milhões de dólares (6,3% do PIB) registados em 2011.

Estes dados do IDE referentes a Portugal espelham a dificuldade do país em atrair investimento estrangeiro desde que solicitou ajuda externa.

Para contrariar a queda do investimento em Portugal, que tem atingido números de dois dígitos nos trimestres mais recentes, o Governo português anunciou em Maio um pacote de incentivos fiscais ao investimento.

Para investimentos até 5 milhões de dólares, entre Junho e Dezembro deste ano, a taxa de IRC aplicada poderá descer até 7,5%, face aos actuais 25. Esta medida, anunciada ainda por Vítor Gaspar, é temporária e tem como principal objectivo aumentar o investimento.

Já para 2014, está prevista uma descida da taxa de IRC em dois pontos percentuais, para 23%, sendo que o objectivo passa por reduzir esta taxa de forma consecutiva até um máximo de 19% em 2016.

Em termos agregados na OCDE, o IDE registou uma queda de 28% no segundo trimestre, para 256 mil milhões de dólares, contrariando o crescimento verificado nos dois trimestres anteriores.

 

Fonte: Negócios

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