Apesar das sanções russas, as exportações alemãs valeram quase 100 mil milhões de euros em Julho. O saldo da balança comercial bateu novos recordes.
O saldo da balança comercial da Alemanha bateu novos recordes em Julho, numa altura em que entidades como o FMI e o BCE pedem uma maior flexibilidade orçamental a Berlim para estimular o crescimento na zona euro. Em Julho, o excedente comercial da Alemanha atingiu 22,2 mil milhões de euros, um novo recorde. Isto depois de as exportações também terem batido valores recorde, situando-se em 98,2 mil milhões de euros, de acordo com dados do instituto de estatística alemão.
Estes dados fazem dissipar algumas das preocupações sobre o impacto da crise na Ucrânia nas exportações da maior economia da zona euro. “A procura dos EUA e do Reino Unido mais que compensou alguma fraqueza das exportações da Alemanha para a Rússia, portanto os receios de que as exportações germânicas iriam quebrar foram claramente exagerados”, referiu o economista-chefe do ING, Carsten Brzeski, citado pela Reuters. Estes dados dão também indícios de que a economia alemã possa ter um desempenho positivo no terceiro trimestre.
No entanto, se as exportações tiveram uma subida mensal de 4,7%, as importações registaram uma quebra de 1,8%. A Alemanha tem sido alvo de críticas por parte dos EUA, do FMI e da própria União Europeia devido ao elevado excedente comercial que tem vindo a acumular. Consideram que ao não estimular a procura interna, a Alemanha está a complicar a recuperação na zona euro.
No final do ano passado, por exemplo, a Comissão Europeia avisou Berlim para diminuir a dimensão do excedente comercial, através de medidas de incentivo ao consumo que permitissem aumentar as importações germânicas. Também o BCE, na semana passada, avisou que a política monetária é insuficiente para resolver os problemas da economia da zona euro. Mario Draghi pediu aos países europeus que tivessem uma política orçamental mais flexível para ajudar a economia a sair da estagnação e para impedir que o risco de deflação se materialize. Já hoje, em entrevista ao Les Echos, Christine Lagarde considerou que a Alemanha é a única economia da zona euro com margem orçamental, sugerindo uma subida de salários.
Por seu lado, Berlim tem rejeitado as críticas dos últimos meses em relação ao seu excedente comercial, argumentando que o saldo é um sinal de que a economia germânica é competitiva.