O calçado português vende-se cada vez mais e melhor no mundo inteiro, com crescimentos este ano de dois dígitos em países como a Rússia ou os Estados Unidos. Este comportamento resulta da aposta feita desde 1994 em 661 acções promocionais no exterior. No primeiro semestre deste ano, o sector obteve o melhor resultado de sempre, com as exportações a crescerem mais de 12%, ultrapassando os 42 milhões de pares de sapatos, no valor de 885 milhões de euros.
No acumulado dos últimos quatro anos, cresceu mais de 40% no exterior, registando subidas em praticamente todos os mercados. Na UE, a indústria voltou a reforçar a sua posição este ano, com um crescimento na ordem dos 11%. Mas é sobretudo fora da Europa que mais se tem notabilizado, com um crescimento de 23%.
Ainda assim, o objectivo, segundo a Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), passa por “aprofundar a presença do calçado nacional em novos mercados, de modo a que as vendas extracomunitárias representem 20% do total até 2020. Até Junho, a associação reporta taxas de crescimento de dois dígitos na Rússia (mais 12% para 19 milhões de euros), EUA (mais 92% para 21 milhões), Canadá (mais 30% para nove milhões) e China (101% para três milhões) ou Emirados Árabes Unidos (19% para três milhões).
FEIRA EM MILÃO O sector está a participar na feira MICAM, em Itália, considerada a maior feira de calçado do mundo, através da maior comitiva de empresas de sempre e a segunda maior delegação estrangeira. Portugal levou a Milão 86 empresas responsáveis por mais de 100 marcas, que representam cerca de 7000 postos de trabalho e 500 milhões de euros de exportações. “Somos a segunda maior representação nesta feira e esperamos continuar a crescer não só no mercado consolidado europeu, mas também para lá do espaço europeu, onde temos vindo a ter um crescimento muito importante, como no mercado americano”, afirmou à Lusa Pedro Pessoa e Costa, administrador da AICEP, durante uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, à delegação portuguesa.
A AICEP, que tem vindo a apoiar os industriais do calçado na promoção, aponta a indústria como “um belíssimo exemplo para outros sectores da economia portuguesa”, porque se soube “reinventar”, considerando que este era “um sector que estava de certa forma estigmatizado”.
Salientando que o calçado nacional é hoje “uma indústria altamente exportadora porque apostou no design e na inovação, colocando “o produto português e a marca Portugal a um nível muito alto”, Pessoa e Costa apontou o sector como “uma aposta vencedora” e “um belíssimo exemplo” para outros sectores da economia portuguesa.
Fonte: Jornal i