As fábricas que integram o projeto Eólicas de Portugal, do qual faz parte a EDP, podem vir a ter de reduzir a produção e consequentemente ajustar os postos de trabalho, disse o presidente do consórcio, Aníbal Fernandes.
Em causa, diz, está o facto de o atual Governo ter congelado o lançamento de novos concursos para parques eólicos e ter deixado de haver necessidade de torres e pás para abastecer o mercado nacional.
“Os objetivos iniciais previam 60% de exportação e 40% para o mercado nacional, mas com a mudança de política não há MW atribuídos e como tal não há mercado nacional. O problema é que as exportações não chegam e podemos ter de reajustar a produção e consequentemente os postos de trabalho”, disse aquele responsável à margem da visita do Comissário Europeu de Energia, Gunther Oettinger, a Portugal.
Contudo, salienta: “Os empregos não estão em risco, mas como não há novos projetos vai ser preciso um esforço adicional para os manter”.
O projeto Eólicas de Portugal emprega, neste momento, 1850 pessoas, a maior parte dos quais nas fábricas cuja produção é exportada para países como os EUA, Canadá, Brasil, Roménia ou Itália. É aliás, por isso, que este cluster industrial representa 4% do PIB da região Minho-Lima.
Constituído para concorrer a um dos concursos de eólicas lançados pelo Governo de Sócrates, o consórcio Eólicas de Portugal ou ENEOP, é constituído pela EDP, a Enel e a Generg que, para darem um contributo adicional, foram buscar a produtora de eólicas alemã Enercon para montar um cluster industrial. Estas unidades fabris teriam como objetivo produzir as eólicas para os 1200 MW de parques que eram atribuídos no concurso e depois para o mercado nacional e intermacional.
De acordo com Aníbal Fernandes o Governo não precisava de congelar novos projetos porque o investimento é privado e também porque a rede não precisaria de ser reforçada para receber a energia adicional. “A rede não sofre com o aumento de capacidade e o apoio do Governo é só no lançamento de concursos”, comentou.
E conclui: “Há espaço para mais MW eólicos onshore e as fábricas têm capacidade para responder”.
Fonte: Dinheiro Vivo