A agência Fitch coloca Portugal entre o grupo de países com maior potencial para, no médio prazo, verem os seus ‘ratings’ melhorados.

“A Fitch acredita que a Irlanda, Portugal e Espanha apresentam o maior potencial no médio prazo para, num cenário favorável, ter uma subida no ‘rating’ de vários níveis”, lê-se num relatório hoje publicado pela agência.
Esse potencial é justificado com dois argumentos: Irlanda, Portugal e Espanha sofreram danos menos graves do que os observados na Grécia e no Chipre, os outros dois países intervencionados; e os ‘ratings’ dos três países caíram mais do que os de Itália e da Eslovénia.
Esta é a primeira comunicação pública da Fitch desde que o Governo confirmou, no domingo, a opção pela saída limpa. Uma decisão que reforçou a expectativa de que a Moody’s e a Standard & Poor’s podem anunciar já esta semana – pronunciam-se sexta-feira – uma melhoria da avaliação de Portugal.
Pré-crise ainda longe
No mesmo relatório, a Fitch avisa que as possíveis revisões em alta dos ‘ratings’ não colocarão esses países na situação de que gozavam antes da crise das dívidas soberanas. Até porque, lembra a agência, várias alterações foram anunciadas nos últimos meses para reflectir a diminuição da intensidade da crise, o fim da recessão e a capitalização do sector bancário.
“Não prevemos que qualquer dos soberanos da periferia da zona euro recupere níveis de classificação pré-crise. Isso reflecte não só o caminho longo e difícil de ajustamento que têm pela frente, mas também o legado da crise”, refere.
Entre os gatilhos para concretizar um ‘upgrade’ a Fitch destaca a redução dos défices orçamentais e a redução dos rácios da dívida pública. Essa revisão “é possível num cenário benigno de recuperação económica e de rácios de dívida em declínio”, apesar de “muitos países enfrentarem um longo período de convalescença”.
A Fitch avalia actualmente a dívida pública portuguesa com a nota de ‘BB+’, considerando-se assim um investimento especulativo.
Fonte: Económico