Assumindo que as condições económicas e financeiras não melhoram, os bancos portugueses poderão nos próximos dois anos enfrentar 20 mil milhões de euros de perdas devido a crédito malparado nas empresas. 60% das perdas estão provisionadas e o restante pode ser acomodado com resultados futuros, sem afectar rácios de capital, calcula o FMI.
Grandes, médias e pequenas: as empresas portuguesas continuam entre as mais endividadas do Sul da Europa, sendo esse um fenómeno que atravessa os diversos sectores de actividade, o que acarreta riscos acrescidos para o restabelecimento da actividade económica mas também para a saúde financeira dos bancos.
A advertência é feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no seu mais recente relatório sobre os riscos para a estabilidade financeira, no qual a instituição volta a chamar a atenção para a vulnerabilidade que persiste em Portugal, Espanha e, em menor medida, em Itália devido ao excessivo endividamento das suas empresas.
“No seu conjunto, mais de três quartos da dívida das empresas em Portugal e Espanha e cerca de metade da dívida empresarial em Itália é detida por empresas cujo rácio de endividamento se eleva ou ultrapassa os 40%”, refere o FMI, ao admitir que, no médio prazo, parte destas empresas não conseguirão ressarcir as suas dívidas a menos que consigam reduzi-la através da compressão de custos operacionais e do investimento.
A jusante, estas pressões poderão ter implicações nos balanços dos bancos. No caso de Portugal, e assumindo um cenário mais adverso do que o central, no qual as condições económicas e financeiras não melhoram, os bancos portugueses poderão nos próximos dois anos (2014 e 2015) enfrentar 20 mil milhões de euros de perdas devido a crédito malparado nas empresas. O FMI calcula, porém, que 60% das perdas estão já provisionadas e que o restante pode ser acomodado através dos resultados futuros dos próprios bancos, sem afectar rácios de capital – ou seja, sem que exista a necessidade de novas injecções de capital.
Fonte: Negócios