Não só quase metade das empresas em Portugal tiveram, o ano passado, resultados negativos, como a fatia das que têm capitais próprios negativos é já de 29%, o que representa um agravamento de 2 pontos percentuais face a 2011. Esta é a maior proporção de sempre das empresas com capitais negativos, indica o Banco de Portugal.
Esta situação, indica o supervisor na sua Análise Sectorial das Empresas Não Financeiras em Portugal 2012-2013, “é particularmente relevante” nos sectores do comércio e outros serviços, nos quais cerca de 31% das empresas apresentou capitais próprios negativos. Destaque, ainda, para os subsectores do alojamento, restauração e similares, onde a taxa sobe para 49%, e para a educação e atividade artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas, respetivamente com 42% cada.
O Banco de Portugal reconhece que, não é de hoje, que “um conjunto significativo” de empresas são totalmente financiadas por capitais alheios. Entre 2008 e 2012, indica, cerca de 26% das empresas registou capitais próprios negativos, proporção que atingiu o ano passado o seu pico, nos 29%. A questão é que uma “uma larga parcela” destas sociedades tenderá a encerrar a atividade “ao longo dos anos seguintes”.
O estudo recua até 2006 e conclui que 49% das empresas com capitais próprios negativos nesse ano cessaram atividade nos seis anos seguintes e só 17% conseguiu inverter a situação e passou a ter capitais próprios positivos.
“Pese embora a tendência para a cessação de atividade, 19% das empresas com capitais próprios negativos em 2012 já estavam nessa situação desde, pelo menos, 2006”, sublinha o BdP. Eram, sobretudo, microempresas (98%) e empresas dos sectores dos outros serviços (47%) e do comércio (31%).
O BdP procede, ainda, a uma análise comparativa dos indicadores económico-financeiros das empresas com capitais próprios positivos com as que os têm negativos e conclui , não só, que estas perderam mais volume de negócios, entre 2008 e 2012 – em média 10% contra os 2% das sociedades com capitais positivos – , como apresentaram um menor grau de abertura ao exterior: as vendas e prestações de serviços ao exterior pesavam 3% na faturação total, o que compara com 11% nas empresas com capitais próprios positivos.
Mais, a rendibilidade média do ativo das empresas com capitais próprios negativos foi negativa em 6%, enquanto nas sociedades com capitais próprios positivos foi de 2%. Por fim, destaca o BdP, “o indicador de liquidez reduzida mostra que, no conjunto das empresas com capitais próprios negativos, o peso do ativo de curto prazo é significativamente inferior ao peso do passivo de curto prazo (35%, que compara com 115% nas empresas com capitais positivos)”.
Sublinha o estudo que “a maioria destas empresas tem problemas de liquidez e não consegue gerar rendimentos suficientes para suportar a manutenção da sua atividade, o que contribui para agravar o nível negativo dos capitais próprios”.
Significativo é que, em resultado da situação de capitais próprios negativos e do facto da atividade destas empresas ser integralmente financiada por capitais alheios, o passivo destas empresas cresceu quase 3%.
Fonte: Dinheiro Vivo