O Tesouro português antecipou a amortização de um total de 1.320 milhões de euros em obrigações do Tesouro que venciam em 2014 e 2015, através de um leilão de recompra.
O IGCP utilizou parte da “almofada” financeira acumulada nos últimos meses para antecipar a amortização de 293 milhões de euros em dívida que vencia em Outubro de 2014 e 1.027 milhões de euros em obrigações que atingiam a maturidade em 2015.
A linha de obrigações para Outubro de 2014 tinha, antes desta operação, um “saldo vivo” de 5.870 milhões de euros e a linha de 2015 de 9.242 milhões de euros. A obrigação do Tesouro de 2014 paga um cupão fixo anual de 3,6% e a de Outubro de 2015 uma remuneração anual bruta de 3,35%.
Os títulos para Outubro de 2014 foram recomprados a um preço médio de 101,971 face ao valor nominal (100, o que será reembolsado) e a dívida para Outubro de 2015 a um preço médio de 103,437.
Porque está o IGCP a fazer esta operação?
Aliviar reembolsos e custos com juros da dívida em 2014 e 2015, dar uso a uma parte da “almofada” de tesouraria acumulada pelo IGCP (cuja manutenção tem um custo para o Estado) e voltar a “aparecer” no mercado e contactar com os investidores. Estes são três dos objectivos da operação de recompra que o IGCP promove esta quinta-feira. Mas o principal, disseram os especialistas nos últimos dias, é antecipar a entrega de liquidez aos investidores – sobretudo os nacionais – para que estes possam participar nas próximas emissões de dívida que o IGCP quer fazer.
A compressão da rendibilidade poderá levar os investidores a entregar os títulos para libertar liquidez que poderá ser reinvestida em activos com taxas mais elevadas. “A operação libertará algum dinheiro para os investidores e não é difícil imaginar que a liquidez será novamente investida em activos portugueses, nomeadamente em obrigações do Tesouro com prazos mais longos”, disse Luca Jellinek, responsável pela estratégia em dívida pública europeia do Crédit Agricole, no início da semana.
Abrindo mais “folga” na carteira de investimentos dos bancos, cria-se mais espaço para que estes continuem a comprar dívida pública nacional no mercado, o que ajudará a reduzir as taxas nos prazos mais longos. E “tornará mais fácil para o IGCP assegurar procura para novas emissões”, diz Luca Jellinek, não só novas operações apoiadas em sindicato bancário mas também no regresso aos leilões convencionais. O IGCP prevê emitir mais 5,6 mil milhões em obrigações do Tesouro este ano.
Chiara Cremonesi, do UniCredit, diz que o IGCP “está a passar uma mensagem de conforto” quanto à posição de liquidez de que dispõe, que estará entre os 14 e os 15 mil milhões de euros. Parte desta “almofada” foi utilizada neste leilão de recompra. Ao gastá-la, o IGCP está também a eliminar, na mesma medida, necessidades de financiamento, pelo que o efeito é nulo. Contudo, ao fazê-la será uma forma de poupar. Isto porque parte da “almofada” foi obtida com a emissão de dívida sobre a qual se está a pagar juros muito mais elevados do que a rendibilidade que é possível obter no seu depósito.
Fonte: Negócios