Vendas para o exterior avançaram 1,7% entre Janeiro e Março deste ano, período em que os portugueses importaram mais 6% de bens do que um ano antes. Défice da balança comercial agravou-se, enquanto taxa de cobertura caiu.
As exportações de bens continuaram a crescer no primeiro trimestre de 2014. Contudo, esse comportamento positivo corresponde a um ritmo bastante inferior ao das importações.
As vendas de bens para o exterior avançaram 1,7% em comparação com os primeiros três meses de 2013, alcançando os 11.734 milhões de euros, de acordo com os dados de comércio internacional divulgados esta sexta-feira, 9 de Maio, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
A evolução positiva das exportações fica aquém da expansão de 6% das importações, que chegaram aos 14.334 milhões de euros.
Esta evolução do comércio internacional resulta num défice da balança comercial de 2.599,6 milhões de euros no final do primeiro trimestre do ano, um agravamento de 621,7 milhões de euros em termos homólogos.
A taxa de cobertura, indicador que compara o montante exportado e o importado, declinou e passou de 85,4%, entre Janeiro e Março de 2013, para 81,9%, um ano depois. Ou seja, o que o país vende só cobre 81,9% do que compra.
As exportações cresceram para dentro da União Europeia, o principal mercado que tem vindo a recuperar da recente crise (3%), mas deslizaram para fora do espaço comunitário (-1,7%). As importações de bens produzidos noutros países da União Europeia, também mais representativas, subiram (13,5%), tendo caído no comércio extra-UE (12%).
Neste trimestre, os combustíveis e lubrificantes registaram uma quebra de 30%, o que se justifica pela paralisação da refinaria de Sines da Galp, enquanto o impulso veio da parte dos bens de consumo. Nas aquisições de bens com origem no exterior, a taxa de variação foi mais positiva no material de transporte e acessórios, como automóveis para transporte de passageiros.
No trimestre entre Dezembro e Fevereiro as exportações tinham avançado 5,2% e as importações 7,5%. Houve, portanto, um abrandamento dos dois indicadores entre Janeiro e Março, mais intenso nas vendas do que nas compras internacionais.
Pior mês em um ano prejudicou trimestre
Os resultados das exportações de bens no primeiro trimestre foram prejudicados, sobretudo, pelo desempenho no terceiro mês de 2014, em que o indicador resvalou 1,3% relativamente a Março de 2013. É a maior queda em precisamente um ano.
A refinaria de Sines da Galp, uma grande responsável pelas vendas de bens para o exterior, esteve encerrada durante 45 dias, nomeadamente nos dias de Março, o que pode ajudar a explicar o abrandamento trimestral das exportações nacionais. O desempenho resultou “da evolução do comércio extra-comunitário (devido essencialmente aos combustíveis minerais)”, aponta o INE no comunicado.
Nos três meses deste ano, ainda não foram vendidos para o exterior bens num valor superior a 4.000 milhões de euros, como ocorreu em metade do ano passado.
Fonte: Negócios