Nos primeiros cinco meses do ano, as vendas de Portugal ao exterior caíram, ao mesmo tempo que as compras de produtos externos aumentaram. Resultado: o saldo comercial está mais desequilibrado e atinge já 4,1 mil milhões de euros, bem acima dos 3,4 mil milhões registados há um ano.
Os números do Eurostat não enganam. Entre janeiro e maio, Portugal foi um dos países com maior défice comercial na União Europeia, apenas ultrapassado pelo Reino Unido, França, Espanha e Grécia. E cada vez mais distante da prestação de países como a Alemanha, com o maior excedente da Europa, Itália ou até Irlanda.
O aumento das compras ao estrangeiro é o maior fator de desequilíbrio da balança externa portuguesa e uma consequência natural da retoma do consumo privado e regresso à aquisição de bens duradouros, como o INE já revelou. Contas feitas, até maio, Portugal importou 23,7 mil milhões de euros em produtos, mais 2% do que em igual período do ano passado.
O problema é que esta retoma das compras ao exterior está a ser acompanhada por uma diminuição das vendas de produtos nacionais ao estrangeiro. Até maio foram exportados menos dois milhões de euros, o que consiste numa queda de 1% nas exportações nacionais.
O saldo é por isso, hoje, mais negativo do que há um ano, valor que contrasta com o excedente comercial de 84 mil milhões de euros registado na Alemanha ou até de 14,1 mil milhões de euros da Irlanda.
Fonte: Dinheiro Vivo