Empresas consideram que a indefinição da estratégia política para o sector tem afectado os seus negócios.

A terceira tranche do empréstimo do Banco Europeu de Investimento ainda não chegou às mãos do cluster eólico ENEOP e, se não fosse a intervenção dos seus accionistas, que se subsituiram e injectaram dinheiro na empresa, provavelmente a empresa não teria tido capacidade de continuar a investir em Portugal, onde já tem 1000 MWinstalados.

Os problemas de financiamento do consórcio, constituído pela EDP, ENERCON, FINERGE, GENERG e TP têm acontecido porque “o BEIpede cada vez mais garantias e pormenores técnicos, mais do que pediu para a primeira e segunda tranches do empréstimo”, disse Aníbal Fernandes, presidente da ENEOP ao Diário Económico.

Os problemas ligados ao financiamento são apontados por empresas de todos os quadrantes como um problema que as tem atingido, e o mesmo se passa na área das renováveis. Mas não só. Acorretora de seguros Marsh, e que é também especialista em consultoria de risco fez, a pedido do Diário Económico, um ranking dos cinco principais riscos que as empresas do sector renovável enfrentam. O risco político aparece em primeiro lugar, as garantias de financiamento em segundo e o risco regulatório em terceiro. Três temas que as empresas portuguesas bem conhecem, quer no mercado português, quer em muitos dos mercados internacionais para onde se expandem.

Ângelo Soares, responsável pelas Energias Renováveis da Efacec, considera que “a situação económica global, e em particular a europeia, tem vindo a dificultar o acesso dos vários ‘players’, sejam eles promotores, fabricantes, instaladores ou investidores de longo prazo, aos financiamentos indispensáveis, ou quase, para que surjam novos projectos”. Além disso, “muitos países têm-se visto obrigados a rever os seus esquemas regulatórios e de suporte às renováveis, em alguns casos com efeitos retroactivos”, o que tem posto em causa as expectativas de promotores e investidores. Por outro lado, “as entidades financiadoras revêm as suas políticas em face destes novos riscos”.

A dificudade no financiamento e as constantes alterações às leis têm, assim como o desconhecimento em relação às políticas para o sector – tem sido, assim, inimigos do sector. De acordo com Miguel Matias, vice-presidente e fundador do grupo Selfenergy, não há nenhuma estratégia para o sector por parte do Governo, mas acredita que o novo Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, a quem o DiárioEconómico pediu uma entrevista sobre o sector mas que foi recusada, “possa reverter esta nulidade de estratégia e acção e possa compensar nos dois anos que faltam o vazio de ideias e projectos destes dois anos”.

José Teixeira, presidente do conselho de administração da DST Renováveis, refere a acentuada diminuição das tarifas aplicadas à produção de energia com base em fontes renováveis como um factor que afectou um mercado interno que estva a ser pioneiro. O responsável defende ser importante o país ter um enquadramento legal “que permita a continuidade deste sector, ainda que minimizando custos financeiros para o Estado, o que poderá ser feito através do lançamento de bases legais que enquadrem o sector”.

“Falta acima de tudo entender as energias renováveis e a produção descentralizada de energias como desígnios estratégicos e deter políticas e planos de acção que não mudem a cada legislatura”, defende Frederico Rosa, administrador da Sunenergy. “Portugal possui empresas de grande capacidade, profissionais qualificados e um grande conhecimento interno transversal a toda a indústria”, diz, lembrando também a indefinição do sector e o facto desta levar a que muitos profissionais saiam do País.

Na opinião de Miguel Matias, para Portugal voltar a ser mais atractivo nas renováveis “falta uma aposta mais coerente e consistente, sem entraves administrativos ou alterações constantes em leis”. “Seria muito interessante iniciar-se o processo da eficiência energética no sector público onde o Estado poderia poupar mais de um milhão de euros por semana”, diz, frisando também a importância de se “liberalizar a possibilidade de venda à rede de fontes renováveis, num regime de ‘net metering’, onde o que se vende poderá ser compensado pelo que se compra, sem necessidade de registos de renováveis ‘na hora’ que se tornam num ‘ano ou mais’.

 

Fonte: Económico

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