Uma ideia não basta. É preciso persistência e, sobretudo, alguém que ajude a realizá-la. Vítor Costa e Paulo Silveira queriam fundar a Performing Arts Portugal desde 2009 mas foi só no final de 2012 que começaram a perceber o processo de promoção internacional nas artes performativas, um dos pontos fundamentais para desenvolverem o negócio que tinham em mente.
“O projeto nasce da observação da falta de mecanismos profissionais, consistentes e específicos para promover artistas e intérpretes portugueses fora do país”, explica Vítor Costa. Mas por mais que a vontade de exportar talento português estivesse posta em papel, Vítor e Paulo só avançaram depois de participarem no Prémio Nacional Indústrias Criativas Super Bock/Serralves (PNIC). Primeiro, porque o prémio permitiu consolidar a ideia enquanto projeto; segundo, porque através dele conseguiram estabelecer a Performing Arts Portugal enquanto negócio. Isto é, o trabalho que decorreu do prémio garantiu-lhes o investimento de cerca de 70 mil euros para o primeiro ano de negócio através de um apoio da Secretaria de Estado da Cultura/DGArtes.
“Talvez a lição mais importante
Depois do arranque, o portal da Performing Arts Portugal está em fase de pré-lançamento: os primeiros conteúdos estarão online dentro de dois meses e até ao final de julho será apresentado a programadores de todo o mundo. Só em 2015 o projeto vai desenvolver as componentes seguintes, como o Performing Arts Channel. As primeiras transmissões streaming deverão acontecer no verão do ano que vem.
Para Rui Sousa Neves, cofundador da Zizabi, o prémio foi um apoio suplementar, que surgiu ao mesmo tempo que a incubação na UPTech. A empresa foi outra finalista do PNIC em 2013 e surgiu porque Rui e Hugo Vieira, cofundador da Zizabi, tinham casas à venda na família. E perceberam que muitos dos potenciais compradores queriam mais do que conhecer o espaço. “Uma casa é muito mais do que quatro paredes: é o bairro, são os serviços, escolas, transportes, supermercados e restaurantes. Tudo contribui e faz parte da compra”, detalha Rui. Então entenderam que podiam ter algo valioso em mãos: uma ideia de negócio. Com mais três sócios, criaram um motor de busca que funciona como rede de referências, cruzando reviews (o mesmo sistema do booking, por exemplo), com dados oficiais de instituições como ministérios, polícia e até o Instituto Nacional de Estatística.
“Queremos proporcionar uma experiência envolvente aos utilizadores, que lhes permita escolher uma casa para comprar ou arrendar com a certeza de que, apesar de ainda não viverem na zona, já a conhecem. A Zizabi é uma forma de antecipar essa mudança”, explica Hugo, 38 anos, o mais velho da equipa.
No caso de João Afonso, a ideia de negócio veio de uma paixão que se tornou necessidade. “Sempre fui apaixonado por música e por tudo o que a ela diz respeito. A minha ‘vida dupla’ entre a tecnologia e a música permitiu-me perceber que podia haver uma oportunidade. As principais empresas – Apple, Amazon, Spotify – estão focadas no formato (MP3 ou streaming) e negligenciam os serviços de informação e recomendação. Ao mesmo tempo, a maioria dos conteúdos musicais existentes na rede são UGC – gerados pelo utilizador – e estão dispersos. Gigabytes destes conteúdos são submetidos todos os dias, o que significa que é um tipo de informação em constante atualização.”
Confuso? João explica. O que a Musikki propõe é, num único clique, dar a informação mais relevante sobre um artista naquele exato período de tempo. Para levar a cabo o plano, João convenceu dois amigos da Universidade de Aveiro, Juliana Teixeira e Pedro Almeida, que o ajudaram a desenvolver o projeto. A primeira versão foi colocada online a 5 de novembro de 2010. “A longo prazo queremos que se torne no principal destino para os amantes de música online a nível mundial e simultaneamente na principal fonte de music data na rede, alimentando outros serviços de música como o iTunes, o Spotify ou o Shazam”, esclarece o fundador do projeto, que tem sido comparado a um IMDB para a música, ainda que com conteúdos agregados em tempo real.
Com um investimento inicial de 200 mil euros, angariados com a vitória na competição do BGI (iniciativa do ISCTE em parceria com o MIT), ao vencer o PNIC o projeto ganhou a validação de especialistas, o que levou a focar a estratégia no mercado europeu. O tempo também ajudou a definir melhor o caminho: a empresa prepara a abertura do escritório em Londres em abril, mercado considerado essencial para o crescimento da Musikki. “É ali que a indústria musical está concentrada e se queremos posicionar-nos como um grande player é lá que temos de estar. O desenvolvimento de produto e investigação continuará em Portugal.”
Entre 2008 e 2013, o Prémio Nacional Indústrias Criativas Super Bock/Serralves recebeu 1216 candidaturas, 782 das quais nas últimas duas edições. Do total, 125 foram submetidas ao júri e dessas resultaram 54 projetos finalistas, seis vencedores e sete menções honrosas. Desde há seis anos, o prémio apoiou mais de 60 projetos que se tornaram negócio e geraram mais de 140 empregos. As inscrições para a 6.ª edição estão abertas para projetos em quatro categorias: Arquitetura e Artes Visuais, Música e Artes do Espetáculo, Conteúdos e Novos Media, Turismo e Património.
Fonte: Dinheiro Vivo