Depois da Irlanda, será a vez de Portugal, acredita o ING, que recomendou esta segunda-feira aos seus clientes que comprem dívida portuguesa com maturidade em dois e cinco anos. No mercado secundário os juros de Portugal a dez anos estão perto de quebrar a barreira dos 5%.
O banco holandês ING recomendou aos seus clientes que comprem dívida portuguesa com maturidade de dois e cinco anos, considerando que os títulos oferecem um “valor real”.
O analista Padhraic Garvey, responsável pelo mercado de dívida para os países desenvolvidos, refere que “o mais provável é que Portugal seja colocado no nível mais baixo do grau de investimento” em 2015.
As três principais agências de rating – Moodys, S&P e Fitch – colocaram a notação financeira de Portugal no grau de investimento especulativo, ou lixo, depois do país ter solicitado assistência financeira externa.
Na última sexta-feira a Moody’s elevou o rating da Irlanda de “Ba1” para “Baa3”, pelo que a dívida da Irlanda passa a ser um “investimento de qualidade” nas três maiores agências.
“A decisão Moody’s na Irlanda já era esperada, mas ainda assim representa uma importante confirmação de um facto já descontado no mercado e especialmente numa altura em que o mercado está a descontar mais desenvolvimentos positivos”, refere o analista na nota a que o Negócios teve acesso, reforçando que “o valor real está em Portugal, onde os ‘spreads permanecem excepcionais”.
Economistas ouvidos pelo Negócios também acreditam que a notação financeira de Portugal poderá sair da classificação de “lixo” no final deste ano ou início de 2015.
Na sexta-feira, a S&P retirou a vigilância negativa ao “rating” da dívida portuguesa (em BB), mas manteve a perspectiva negativa, indicando que deixou de ameaçar um corte no espaço de 90 dias, mas que no curto prazo a tendência ainda aponta para a redução dos “rating”.
As notícias de recuperação da economia nacional, bem como os comentários positivos das agências de rating e dos bancos de investimento, têm conduzido em baixa os juros da dívida pública portuguesa.
Acompanhando o movimento global de descida entre os periféricos, a “yield” da dívida portuguesa a 10 anos está a descer 12 pontos base para 5,1%, atingindo um mínimo desde Maio de 2010 ainda acima dos 5%, de acordo com as taxas genéricas da Bloomberg.
Fonte: Negócios